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sexta-feira, junho 14, 2013

Doze coisas práticas

1. Ver o pôr do Sol;
2. Observar a paisagem, um misto de cerrado com pastos e plantações;
3. Um galo em meio a algumas galinhas é um ser feliz;
4. Montar um bar noturno com segundas intenções próximo a um posto frequentado por motoristas de caminhão pode ser rentável;
5. Não se pode contar com aquilo que não foi concretizado;
6. Tudo que pode vir a ser são apenas possibilidades;
7. De repente, uma boa possibilidade pode surgir sem que se espere mais por ela;
8. Mas logo depois, ela pode se perder; uma coisa boa anulada por um revés;
9. Mas se é assim, o inverso então é possível. De repente, sem se esperar, uma coisa boa pode surgir e anular um revés;
10. Às vezes, após um revés, aparecem pequenos detalhes para suavizá-lo;
11. Um ato simples e prosaico, que normalmente não damos importância, pode influenciar na obtenção, ou no impedimento, de um desejo;
12. Tenho que colocar água no carro mais vezes.

sábado, fevereiro 23, 2013

A luz dos teus olhos

Na noite sem Lua
Num tempo sem céu
A luz dos teus olhos
Brilharam pra mim
Tiraram o véu
E junto com lábios
Da cor de carmim
Guiaram meus pés
E a alma que é sua

sexta-feira, janeiro 25, 2013

Longe

Não é a Lua grande num céu sem nuvens
Que mais aperta o coração
Mas é ela que assim denuncia
Esse tempo de solidão

Não é a madrugada que se anuncia
Trazendo a brisa da escuridão
É só a saudade do encontro dos olhos
A alagar essa emoção

sexta-feira, setembro 28, 2012

De estar

Espaço-tempo
Assim, bem perto
Deserto
Disperso em vento
No intento
De estar certo

Tempo e espaço
Curto-longo
Longe
Assim, absurdo
No intento
De estar perto

sexta-feira, setembro 14, 2012

Quando mudam as estações

Quando mudam as estações
E as nuvens cobrem o céu
Feito de chumbo
É um véu
A cobrir o brilho do Sol

Mas quando mudarem as estações
E se forem todos os véus
E os céus e todos os sóis
Se acumularem sobre a gente
O sangue correrá devagar

E as dores que se sente
Intempestivamente
Se transformarão assim
Tranquilamente
No sorriso de quem vê o fim

terça-feira, setembro 04, 2012

Tomou-me

De repente surgiu assim
Súbito
De repente se fez assim
Abrupto
De repente me deixou assim
Decúbito
De repente me encheu assim
De amor

sexta-feira, agosto 31, 2012

Sem título


És a mais bela de todas as estrelas do meu céu
És a única que brilha em minha direção
Nas noites escuras e negras
Levanto meus olhos e a vejo
Em meus sonhos confusos
Nas noites abafadas e sem brisas
Entra pela minha janela
Cuida do meu sono
Vigia e reza por ele
Nas noites longas, intermináveis
Em meus sonhos, perdido
Levanto meus olhos e a venero
Porque nas noites escuras e negras
És a única que brilha em minha direção
És a mais bela de todas as estrelas do meu céu

quarta-feira, agosto 29, 2012

Inteiro

Mesmo meu corpo
Assim meio torto
Mesmo minha alma
Que quer calma
Inteiramente são seus
Ao toque de sua mão

Mas muito mais ainda
Com muito mais razão
Até que minha vida se finda
É seu esse meu coração

domingo, julho 22, 2012

Abrigo

Que alma é essa que você traz consigo?
Que calma é essa que você faz comigo?
Em que era você tomou meu peito?
O que espera que eu faça do meu jeito?
Deu-me o tempo esse castigo?
Ou foi-me apenas um abrigo?
Pra que me guardasse
Pra que eu esperasse
Assim quieto o dia perfeito?

Tive de olhar os anos com olhos salgados
Perdi os profanos, perdi os sagrados
Pra que eu duvidasse
Pra que eu suplicasse
A volta do que não foi feito

Mas agora, esqueça o perigo
Destes tempos complicados
Olhe nos meus olhos alagados
Faça do meu peito o seu abrigo

quinta-feira, março 01, 2012

Uma flor chamada tulipa de novo

Em 2006 postei algo aqui que muitos vieram me dizer da maravilha do texto, da real imagem da coisa, de como aquilo os incitaram ao ato.

Sexta-feira se aproxima e também o Sábado. Era um Sábado. Sábados são bons. Quem na época leu e quem não leu podem ler aqui.

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Ali

Ali bem perto
A brasa abrasa o olho
Vermelha assim
Meio carmim
Meio pra mim
De um jeito
Que me olha
Dum efeito
Que molha
A face
O peito e sua camisa

Ali, decerto
Abraça a raça
E traça
Um roteiro que imagina
Ser estrada
Ser a sina
Que enfim leva
Da treva
Ao dia de Sol

Sem título

Nuvens de algodão
Num céu de azul cobalto
Os olhos vão ao alto
Mas voltam ao coração

Folhas e árvores em profusão
Vento que toca tudo em volta
Tempo que vai e que solta
As amarras da paixão

Céu azul, tarde de verão
Vento quente no peito
Ver que às vezes não tem jeito
De vencer a solidão

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Sem título

E paro e penso e falo
Mas não sei se convenço.


Se adoeço e saro,
Não sei se é o começo
Do caro intento de matá-lo
Ou apenas seu prolongamento.


Eu tenho o gosto e o faro;
Não sei a que venho:
Se paro, se penso, se falo

Nua e Crua

Pura pureza
Bela beleza
Feia feiúra

Paúra
De olhar para a vida
E ver
A nua e pura feiúra
Da beleza

Crueza
No corpo estendido no plano
Na mesa
E os pêlos
Pretos
Proeminentes
Distantes
Vibrantes
Absolutamente
Cativantes
Pelo perfume dos órgãos
Que brotam dos grãos
Apaixonados pelas mãos
Donas dos nãos
Donas dos sins
Dos dedos trêmulos
Dedos afins
Êmbolos
De acesso ao fim

       

sábado, fevereiro 11, 2012

Prometeu

Teu corpo no meu ateu
Teu meu no copo do breu
Meu eu no claro do teu
Teu eu pra cima com o meu

O tempo que foi
Que lembro e que não
O meu e o teu
O himeneu
Que não foi
Que foi não
Aconteceu
Pro meu e pro teu
O que prometeu
E se cumpriu

Espreita

Palavras que saiam daqui
Não farão o que de certo seria
Imagens que apareçam ali
Não dirão o que eu queria

Enfoques diversos
Dispersos olhares
Milhares de toques
Interessantíssimos

Mas e assim
De um talvez
Ou de um sim
O que vi ou que não
A certeza ou o senão
De uma vez ou não
Devagar ou de sopetão
Virão a mim
Devagar
Ao vagar das nuvens
Ao apagar do Sol
Ao raiar do dia

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

Meus céus

Quando o céu fica azul
É a sua imagem que vejo
É seu rosto que elejo
Pra ficar em minhas retinas

Quando o céu se escurece
Meus olhos e suas meninas
Cumprem os dois suas sinas
De fitar o negro firmamento

Quando o céu se torna chumbo
E os cabelos se gelam ao vento
O que traz o arrebatamento
São seus olhos, guardados nos meus

domingo, novembro 20, 2011

Bianca



Esse soneto foi feito pra filha da Marcela Degani, neta do meu irmão Antônio Carlos. Bianca é esperada para Janeiro.

Bianca

Assim que o Sol passar por Janeiro
Carmim e laranja, da cor da paixão
Uma nuvem branca, da cor do algodão
Vai chegar pra abraçar o céu inteiro

Clarinha, clarinha, como miolo de pão
Vai chegar de mansinho, bem devagar
Vai fazer tanta gente rir e chorar
De tanta, mas de tanta emoção

Branca, branquinha, que nem a Lua crescente
Vem ser alegria em sua mais pura descrição
Vem ser forte e linda, vem ser branda e valente

Vem trazer toda a transformação
Que uma menina esperada tão intensamente
Realiza em todos os cantos do coração




segunda-feira, outubro 24, 2011

Sem amor eu nada seria

No último dia de 2008 publiquei esse post sobre uma música do Legião Urbana. Era último dia de ano e eu estava carregado emocionalmente. Como sempre fico. No post, falo também da Epístola de São Paulo aos Corintios, que é uma peça primorosa que a Bíblia oferece a quem queira ler uma boa literatura e não apenas se fechar em copas.

Nesta sexta-feira, dia 21, ouvi essa prece mais uma vez. A Thais e o Bruno se casavam e o padre a recitou, de uma maneira especial. Fiquei carregado emocionalmente. Como sempre fico. O texto maravilhoso de Paulo, um homem antes de tudo, prático. E talvez, exatamente por essa praticidade, o texto traduz exatamente o que é o amor.

Se você que me lê aqui e agora, se der à paciência de abrir novamente o link do post de 2008, leia a carta de Paulo ouvindo a música de Renato. Talvez você também se carregue emocionalmente. Como sempre fico.


Tags: Bíblia; Legião Urbana; Renato Russo; Camões; Monte Castelo; Amor

sexta-feira, setembro 30, 2011

Camaleão

Eu não era assim
Mas acabei ficando
Eu não fico assim
Acabo mudando