sexta-feira, julho 22, 2011

Mulher andando nua pela casa

Mulher andando nua pela casa
envolve a gente de tamanha paz.
Não é nudez datada, provocante.
É um andar vestida de nudez,
inocência de irmã e copo d’água.
O corpo nem sequer é percebido
pelo ritmo que o leva.

Transitam curvas em estado de pureza,
dando este nome à vida: castidade.
Pêlos que fascinavam não perturbam.
Seios, nádegas (tácito armistício)
repousam de guerra. Também eu repouso.

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, julho 20, 2011

70



Era um sete de setembro e ela estava lá como sempre foi. Linda, elegante e única. Eu ainda não chegava ao ombro dela, mas já a admirava. Ainda mantinha minhas mãos nos bolsos, era quieto, calado e observador. E observava. Seu porte altivo, de rosto mirando à frente, como todos devemos ser. Eu e Marelena sempre tentamos copiar isso nas fotos, mas nenhum de nós a superava. Nenhum de nós a superará.

Hoje não é sete como sete foi o dia que escrevi aqui para ela, quando ela se foi. Hoje é setenta. Setenta vezes Maria do Carmo.

Terra

sábado, julho 16, 2011