terça-feira, julho 10, 2012

Casa Arrumada

Esse texto foi uma sugestão da Mara Lúcia, mulher que admira Drummond como eu, que gosta também, como eu, destas marcas de vida espalhadas pela casa.



Casa arrumada

Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.

Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...

Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.

Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.

Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...

Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...

E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia. Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.

Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.


Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

sexta-feira, julho 06, 2012

Quem ama inventa

Quem ama inventa as coisas a que ama…
Talvez chegaste quando eu te sonhava.
Então de súbito acendeu-se a chama!
Era a brasa dormida que acordava…
E era um revôo sobre a ruinaria,
No ar atônito bimbalhavam sinos,
Tangidos por uns anjos peregrinos
Cujo dom é fazer ressurreições…
Um ritmo divino? Oh! Simplesmente
O palpitar de nossos corações
Batendo juntos e festivamente,
Ou sozinhos, num ritmo tristonho…
Ó! meu pobre, meu grande amor distante,
Nem sabes tu o bem que faz à gente
Haver sonhado… e ter vivido o sonho!

Mario Quintana

terça-feira, junho 26, 2012

Stanley Jordan with Derek Trucks


Tags: Robert Randolph; Derek Trucks; Susan Tedeschi; Stanley Jordan

quarta-feira, junho 20, 2012

segunda-feira, junho 18, 2012

70

Um dia pra se comemorar.



Tags: Beatles; Paulo McCartney; Aniversário

sexta-feira, junho 15, 2012

Femina

Não lavei os seios
pois tinham o calor
da tua mão.
Não lavei as mãos
pois tinham os sons
do teu corpo.

Não lavei o corpo
pois tinha os rastros
dos teus gestos;
tinha também, o meu corpo
a sagrada profanação
do teu olhar
que não lavei.

Nem aqueles lençóis,
não os lavei,
nem os espelhos
que continuam
onde sempre estiveram:
porque eles nos viram
cúmplices, e a paixão,
no paraíso,
parece que era.

Lavei, sim,
lavei e perfumei
a alma, em jasmim,
que é tua, só tua,
para te esperar
como se nunca tivesses ido
a nenhum lugar:
donde apaguei
todas as ausências
que apaguei
ao teu olhar.



Soares Feitosa

Miles Davis - It never entered my mind




Babel


Tags: Ryuichi Sakamoto; Babel; Alejandro González Iñárritu; Brad Pitt; Cate Blanchett; Gael Garcia Bernal

Quem ama inventa

Quem ama inventa as coisas a que ama…
Talvez chegaste quando eu te sonhava.
Então de súbito acendeu-se a chama!
Era a brasa dormida que acordava…
E era um revôo sobre a ruinaria,
No ar atônito bimbalhavam sinos,
Tangidos por uns anjos peregrinos
Cujo dom é fazer ressurreições…
Um ritmo divino? Oh! Simplesmente
O palpitar de nossos corações
Batendo juntos e festivamente,
Ou sozinhos, num ritmo tristonho…
Ó! meu pobre, meu grande amor distante,
Nem sabes tu o bem que faz à gente
Haver sonhado… e ter vivido o sonho!


Mario Quintana

sábado, junho 02, 2012

Am I The One

Doooooooooooooooooida...



Tags: Beth Hart; Blues

quarta-feira, maio 30, 2012

Quem é fã sempre sonhou em fazer o que o Wagner Moura fez. Desafinado? Não tem importância... A emoção afina a alma.



Tags: Legião Urbana

terça-feira, maio 29, 2012

Fun

Quando há memórias compartilhadas, momentos vividos juntos e amizade duradoura, não há como não surgir a ternura num encontro de amigos.

Quando, além disso tudo, há música de qualidade envolvida, tudo vira diversão, estampada claramente na face destes senhores sexagenários.
 

Tags: Pink Floyd; David Gilmour; Roger Waters; Nick Manson

Eu amo tudo

Eu amo tudo o que foi,
Tudo o que já não é,
A dor que já me não dói,
A antiga e errônea fé,
O ontem que dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje já é outro dia.


Fernando Pessoa

quinta-feira, maio 24, 2012

Beijo

Um beijo em lábios é que se demora
e tremem no de abrir-se a dentes línguas
tão penetrantes quanto línguas podem.

Mas beijo é mais. É boca aberta hiante
para de encher-se ao que se mova nela.

E dentes se apertando delicados.

É língua que na boca se agitando
irá de um corpo inteiro descobrir o gosto
e sobretudo o que se oculta em sombras
e nos recantos em cabelos vive.

É beijo tudo o que de lábios seja
quanto de lábios se deseja.




Jorge de Sena

terça-feira, maio 22, 2012

I've Got A Feeling



Tags: Beatles; Derek Trucks; Susan Tedeschi

Entre o luar e o arvoredo

Entre o luar e o arvoredo,
Entre o desejo e não pensar
Meu ser secreto vai a medo
Entre o arvoredo e o luar.

Tudo é longínquo, tudo é enredo.
Tudo é não ter nem encontrar.
Entre o que a brisa traz e a hora,
Entre o que foi e o que a alma faz,

Meu ser oculto já não chora
Entre a hora e o que a brisa traz.
Tudo não foi, tudo se ignora.
Tudo em silêncio se desfaz.


Fernando Pessoa

quarta-feira, maio 16, 2012

Soneto de aniversário

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece…
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.


Vinicius de Moraes

segunda-feira, maio 14, 2012

Filtros

O Júlio Morsoletto me passou este vídeo e estou repassando aqui porque acho que é isso mesmo. Vai dizer que você nunca teve a sensação descrita aí? Eu já, mas não havia ligado os pontos... 



Tags: Mundo; Facebook; Google; Internet

domingo, maio 06, 2012

Lua

Foto: Maria Luiza Ribeiro Pereira

Loura

Eu descia o Chiado lentamente
Parando junto às montras dos livreiros
Quando passaste irônica e insolente
Mal pousando no chão os pés ligeiros.

O céu nublado ameaçava chuva,
Saía gente fina de uma igreja;
Destacavam no traje de viúva
Teus cabelos de um louro de cerveja.

E a mim, um desgraçado a quem seduzem
Comparações estranhas, sem razão,
Lembrou-me este contraste o que produzem
Os galões sobre os panos de um caixão.

Eu buscava uma rima bem intensa
Para findar uns versos com amor;
Olhaste-me com cega indiferença
Através do lorgnon provocador.

Detinham-se a medir tua elegância
Os dandies com aprumo e galhardia;
Segui-te humildemente e a distância
Não fosses suspeitar que te seguia.

E pensava de longe, triste e pobre,
Desciam pela rua umas varinas
Como podias conservar-te sobre
O salto exagerado das botinas.

E tu, sempre febril, sempre inquieta,
Havia pela rua uns charcos de água
Ergueste um pouco a saia sobre a anágua
De um tecido ligeiro e violeta.

Adorável! Na idéia de que agora
A branda anágua a levantasse o vento
Descobrindo uma curva sedutora,
Cada vez caminhava mais atento.

Mas súbito parei, sentindo bem
Ser loucura seguir-te com empenho,
A ti que és nobre e rica, que és alguém,
Eu que de nada valho e nada tenho.

Correu-me pelo corpo um calafrio,
E tive para o teu perfil ligeiro
Este olhar resignado do vadio
Que fita a exposição de um confeiteiro.

Vi perder-se na turba que passava
O teu cabelo de ouro que faz mal;
Não achei essa rima que buscava,
Mas compus este quadro natural.



Cesário Verde

sexta-feira, maio 04, 2012

Ausência

Quero dizer-te uma coisa simples: a tua
Ausência dói-me. Refiro-me a essa dor que não
Magoa, que se limita à alma, mas que não deixa,

Por isso, de deixar alguns sinais – um peso
Nos olhos, no lugar da tua imagem, e
Um vazio nas mãos, como se tuas mãos lhes
Tivessem roubado o tacto. São estas as formas
Do amor, podia dizer-te; e acrescentar que
As coisas simples também podem ser complicadas,

Quando nos damos conta da diferença entre o sonho e a realidade.
Porém, é o sonho que me traz à tua memória; e a
Realidade aproxima-te de ti, agora que
Os dias que correm mais depressa, e as palavras

Ficam presas numa refracção de instantes,
Quando a tua voz me chama de dentro de
Mim – e me faz responder-te uma coisa simples,
Como dizer que a tua ausência me dói.


Nuno Júdice

domingo, abril 22, 2012

Mais árvores


Valerie



Tags: Amy Winehouse

quarta-feira, abril 18, 2012

Última estrela

Última estrela a desaparecer antes do dia,
Pouso no teu trêmulo azular branco os meus olhos calmos,
E vejo-te independentemente de mim;
Alegre pelo critério (?) que tenho em Poder ver-te
Sem “estado de alma” nenhum, sonho ver-te.
A tua beleza para mim está em existires
A tua grandeza está em existires inteiramente fora de mim.



Fernando Pessoa

sábado, abril 14, 2012

Traduzir-se

Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte –
será arte?


Ferreira Gullar

In my life


quarta-feira, abril 11, 2012

terça-feira, abril 10, 2012

Canção excêntrica

Ando à procura de espaço
para o desenho da vida.
Em números me embaraço
e perco sempre a medida.

Se penso encontrar saída,
em vez de abrir um compasso,
protejo-me num abraço
e gero uma despedida.

Se volto sobre o meu passo,
é já distância perdida.
Meu coração, coisa de aço,
começa a achar um cansaço
esta procura de espaço
para o desenho da vida.

Já por exausta e descrida
não me animo a um breve traço:
- saudosa do que não faço
- do que faço, arrependida.


Cecília Meireles

sábado, abril 07, 2012

O Amor e o Outro

Não amo
melhor
nem pior
do que ninguém.

Do meu jeito amo
Ora esquisito, ora fogoso,
às vezes aflito
ou ensandecido de gozo.
Já amei
até com nojo.

Coisas fabulosas
acontecem-me no leito. Nem sempre
de mim dependem, confesso.
O corpo do outro
é que é sempre surpreendente.


Affonso Romano de Sant’Anna

terça-feira, março 27, 2012

Invento

Deponho
suponho e descrevo
a pulso

subindo pela fímbria
do despido

Porque nada é verdade
se eu invento

o avesso daquilo que é vestido



Maria Teresa Horta

A Condição Humana

Das coisas tangíveis, as menos duráveis são as necessárias ao próprio processo da vida. O seu consumo mal sobrevive ao ato da sua produção; no dizer de Locke, todas essas “coisas boas” que são “realmente úteis à vida do homem”, à “necessidade de subsistir”, são “geralmente de curta duração, de tal modo que – se não forem consumidas pelo uso – se deteriorarão e perecerão por si mesmas”.

Hannah Arendt, in A Condição Humana

domingo, março 25, 2012

O poste ao contrário do Tio Vinício Degani

Há muitos anos os primos iam se encontrar em Batatais. Ou Ribeirão Preto. Algumas vezes fui no Simca do Tio Vinício ou nos últimos tempos, num Opala lindo e inesquecível.

No caminho, naquela viagem que nos parecia longa, meu tio dizia que era para nós, eu, Júnior Degani e mais quem estivesse no banco de trás, olharmos para fora, ao lado direito de quem ia para o estado de São Paulo. Era para nós prestarmos atenção nas linhas de transmissão porque, dizia ele, havia um poste que teria sido colocado ao contrário de todos os demais. Todos os postes tinham três ganchos, com dois deles para o lado do campo e um deles para o lado da rodovia. Apenas um poste teria dois ganchos para o lado da rodovia.

Muitos anos se passaram e comentei essa lembrança com o Júnior. Ele disse que achava que o pai dele falava isso apenas para nós ficarmos quietos, dar sossego. Seria uma maneira de fazer aquelas crianças inquietas acharem algo para fazer e se concentrarem em algo: procurar um poste ao contrário.

Tempos depois, profissionalmente tendo de ir ao estado de São Paulo, me deparei com uma imagem que tentei captar, mesmo de maneira amadora. O tal poste que o Tio Vinício falava ainda está lá, num pedaço de estrada entre Uberlândia e Uberaba. Depois de fotografar, fiquei pensando que não é só o poste ao contrário do Tio Vinício que permanece ali. Algumas lembranças de tempos lindos ainda permanecem e me enchem de alegria em ter vivido por aqui com pessoas lindas e em momentos lindos. Tem sido muito bom ter estado por aqui.

Tags: Vinício Degani; Opala; Batatais; Ribeirão Preto; BR050

sexta-feira, março 23, 2012

Blue



Tags: David Gilmour; Crosby; Nash

Um pouco antes

Quando já não for possível encontrar-me
em nenhum ponto da cidade
ou do planeta
pensa

ao veres no horizonte
sobre o mar de Copacabana
uma nesga azul de céu
pensa que resta alguma coisa de mim
por aqui

Não te custará nada imaginar
que estou sorrindo ainda naquela nesga
azul celeste
pouco antes de dissipar-me para sempre


Ferreira Gullar

quarta-feira, março 21, 2012

Canção de Outono

O outono toca realejo
No pátio da minha vida.
Velha canção, sempre a mesma,
Sob a vidraça descida…

Tristeza? Encanto? Desejo?
Como é possível sabê-lo?
Um gozo incerto e dorido
De carícia a contrapelo…

Partir, ó alma, que dizes?
Colher as horas, em suma…
Mas os caminhos do Outono
Vão dar em parte nenhuma!


Mario Quintana

segunda-feira, março 19, 2012

Os silêncios

Não entendo os silêncios
que tu fazes
nem aquilo que espreitas
só comigo

Se escondes a imagem
e a palavra
e adivinhas aquilo
que não digo

Se te calas
eu oiço e eu invento
Se tu foges
eu sei não te persigo

Estendo-te as mãos
dou-te a minha alma
e continuo a querer
ficar contigo


Maria Teresa Horta

terça-feira, março 13, 2012

Dos Filhos

E uma mulher que carregava o filho nos braços disse: 

“Fala-nos dos filhos.”

E ele disse:

Vossos filhos não são vossos filhos.

São filhos e filhas da ânsia da vida por si mesma.

Vêm através de vós, mas não de vós.

E, embora vivam convosco, a vós não pertencem.

Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,

Pois eles têm seus próprios pensamentos.

Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;

Pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.

Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis faze-los como vós,

Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.

Vós sois o arco dos quais vossos filhos, quais setas vivas, são arremessados.

O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com Sua força para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.

Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria:

Pois assim como Ele ama a flecha que voa, ama também o arco, que permanece estável.



Khalil Gibran

sexta-feira, março 09, 2012

A Demora

O amor nos condena:
demoras mesmo quando chegas antes.
Porque não é no tempo que eu te espero.

Espero-te antes de haver vida
e és tu quem faz nascer os dias.

Quando chegas
já não sou senão saudade
e as flores
tombam-me dos braços
para dar cor ao chão em que te ergues.

Perdido o lugar
em que te aguardo,
só me resta água no lábio
para aplacar a tua sede.

Envelhecida a palavra,
tomo a lua por minha boca
e a noite, já sem voz
se vai despindo em ti.

O teu vestido tomba
e é uma nuvem.
O teu corpo se deita no meu,
um rio se vai aguando até ser mar.


Mia Couto

domingo, março 04, 2012

O Fazendeiro do Ar



Tags: Carlos Drummond de Andrade; Poesia; Lindeza

Uberlândia

Chegando a Uberlândia e a olhando por outro ponto de vista.


Tags: Fotoas aéreas; Uberlândia

Minha Canção

Minha canção
será como asas aos teus sonhos
E viajará em teu coração
até a fronteira do desconhecido.

Será como a estrela fiel que brilha no alto
Quando a noite escureça teu caminho.

Minha canção
será uma luz em tuas pupilas,
E guiará teu olhar até à secreta essência das coisas.

E quando minha voz emudeça com a morte,
Seguirás escutando minha melodia
em teu coração transbordante de vida.

Rabindranath Tagore

quinta-feira, março 01, 2012

I'll Try Anything Once



Tags: Strokes

Preciso Dizer que te amo




Quando a gente conversa
Contando casos, besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
E eu não sei que hora dizer
Me dá um medo, que medo

Eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
E eu preciso dizer que eu te amo
Tanto

E até o tempo passa arrastado
Só pra eu ficar do teu lado
Você me chora dores de outro amor
Se abre e acaba comigo
E nessa novela eu não quero
Ser teu amigo

É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que eu te amo, tanto

Eu já nem sei se eu tô misturando
Eu perco o sono
Lembrando cada riso teu
Qualquer bandeira
Fechando e abrindo a geladeira
A noite inteira

Eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que eu te amo, tanto


Cazuza

Enjoy


Tags: Pink Floyd; Dark Side Of The Moon

Uma flor chamada tulipa de novo

Em 2006 postei algo aqui que muitos vieram me dizer da maravilha do texto, da real imagem da coisa, de como aquilo os incitaram ao ato.

Sexta-feira se aproxima e também o Sábado. Era um Sábado. Sábados são bons. Quem na época leu e quem não leu podem ler aqui.

Deve ser amor

É preciso fé para cortar as unhas,
cuidar dos dentes como bens de empréstimo.
O cobrador invisível bate à porta.
Não durmo, ele também não.

Deve ser amor o que nos deixa unidos
neste avesso de mística.

Por orgulho de pobre
dou por bastante a pouca claridade
e prefiro a vigília antes que ter repouso.




Adélia Prado

domingo, fevereiro 26, 2012

Portinari em Batatais - 2

Depois postei as fotos dos quadros do Portinari em Batatais, li esta notícia (clique aqui). Passou da hora de tomar iniciativas para preservar essas obras de arte.

Tags: Portinari; Batatais; Preservação; Ipha

sábado, fevereiro 25, 2012

Três

1
Foi grande o meu amor
não sei o que deu
quem inventou fui eu
fiz de você o sol
da noite primordial
e o mundo fora nós
se resumia a tédio e pó
quando em você tudo se complicou

2
Se você quer amar
não basta um só amor
não sei como explicar
um só é sempre demais
pra seres como nós
sujeitos a jogar
as fichas todas de uma vez
sem temer naufragar
não há lugar para lamúrias
essas não caem bem
não há lugar para calúnias
mas por que não
nos reinventar

3
Eu quero tudo que há
O mundo e seu amor
Não quero ter que optar
Quero poder partir
Quero poder ficar
Poder fantasiar
Sem nexo e em qualquer lugar
Com o seu sexo
Junto ao mar



Antonio Cícero



Tags: Nexo; Sexo; Plexo; Complexo

Quando estás vestidas

Quando estás vestidas,
Ninguém imagina
Os mundos que escondes
Sob as tuas roupas.

Assim, quando é dia,
Não temos noção
Dos astros que luzem
No profundo céu.

Mas a noite é nua,
E, nua na noite,
Palpitam teus mundos
E os mundos da noite


Manuel Bandeira


Tags: Poesia; Brasilidade; Sensualidade; Nua

O amor é uma companhia

O amor é uma companhia.
Já não sei andar só pelos caminhos,
Porque já não posso andar só.
Um pensamento visível faz-me andar mais depressa

E vê menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
Mesmo a ausência dela é uma cousa que está comigo.
E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas,

Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na ausência dela.
Todo eu sou qualquer força que me abandona.
Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.


Fernando Pessoa


Tags: Poesia; Portugueses; Pessoa; Distância; Saudade demais

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Echoes

Echoes não era das minhas preferidas quando eu tinha menos de vinte anos. Eu gostava mais daquelas barulheiras, de máquinas e sons estranhos. Eu e Júnior Degani usamos alguns desses sons nas nossas radionovelas que gravamos quando tínhamos quinze ou dezesseis anos.

Dark Side of The Moon, enfim, sempre foi meu "álbum de cabeceira" e que já tratei aqui nesse blog. Mas nas últimas semanas, depois do Ugo Degani ter me presenteado com alguns megabites de maravilhas pinkfloydianas, fiquei alucinado com Echoes. Foi como eu nunca a tivesse ouvido. Acho que os anos apuraram meus ouvidos e fiquei vasculhando versões e vídeos, como aquele em Pompéia.

E numa baita coincidência (ou sincronicidade, como diria Jung), o Renato Cabral tuíta um vídeo do Pink Floyd em Gdańsk, e diz que é seu preferido. Não vou saber e nem arriscar a dizer que também é o meu, mas sintam aí o espetáculo que poucas pessoas atualmente podem desfrutar.


Tags: Pink Floyd; Echoes

Portinari em Batatais

Quando chegou da Itália, meu avô foi para Batatais, onde nasceram meu pai e alguns de meus irmãos. A cidade povoa minhas memórias infantis e é o pano de fundo de inúmeras histórias dos meus primos mais velhos que eu. Eles tiveram o privilégio de conviver com minha avó Hermínia Rizzo Degani e toda sua capacidade gregária.

Batatais também tem coisas únicas, além de ter gerado tanta gente boa, talentosa e amiga. Na igreja matriz (uma réplica da Capela Sistina) há vários quadros do Portinari, que descreveu cenas bíblicas com sua visão única.

Segundo meu irmão Antônio Carlos (ali, na frente da igreja), o atual padre não permite mais que se fotografem as obras. Então, seguem aqui algumas feitas pelo meu irmão. Quando for a Batatais, passe lá. Na saída, dê uma passada no Zé Bonitinho e peça uma Antárctica. Quem sabe você topa com algum Degani bom de música numa mesa...






 Fotos: Antônio Carlos Degani
Tags: Portinari; Batatais; Degani;

O Carnaval da Cidade Maravilhosa


The City of Samba from Jarbas Agnelli on Vimeo.


Tags: Carnaval; Rio de Janeiro; Keith Loutit; Jarbas Agnell; escola de samba

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

Ali

Ali bem perto
A brasa abrasa o olho
Vermelha assim
Meio carmim
Meio pra mim
De um jeito
Que me olha
Dum efeito
Que molha
A face
O peito e sua camisa

Ali, decerto
Abraça a raça
E traça
Um roteiro que imagina
Ser estrada
Ser a sina
Que enfim leva
Da treva
Ao dia de Sol

Portinari - 1





Tags: Portinari; Dançarinas; Batatais; Brodosqui

Summer '68



Tags: Pink Floyd; Jornal Nacional

Sem título

Nuvens de algodão
Num céu de azul cobalto
Os olhos vão ao alto
Mas voltam ao coração

Folhas e árvores em profusão
Vento que toca tudo em volta
Tempo que vai e que solta
As amarras da paixão

Céu azul, tarde de verão
Vento quente no peito
Ver que às vezes não tem jeito
De vencer a solidão

sábado, fevereiro 18, 2012

A adiada enchente

Velho, não.
Entartecido, talvez.
Antigo, sim.

Me tornei antigo
porque  a vida,

tantas vezes, se demorou
E eu a esperei
como um rio aguarda a cheia.



Mia Couto

Oh My Love

http://youtu.be/y33PVE1DI-A

Tags: Beatles; John Lennon; George Harrison

quarta-feira, fevereiro 15, 2012

Sem título

E paro e penso e falo
Mas não sei se convenço.


Se adoeço e saro,
Não sei se é o começo
Do caro intento de matá-lo
Ou apenas seu prolongamento.


Eu tenho o gosto e o faro;
Não sei a que venho:
Se paro, se penso, se falo

Possession



Tags: Sarah MacLachlan

Nua e Crua

Pura pureza
Bela beleza
Feia feiúra

Paúra
De olhar para a vida
E ver
A nua e pura feiúra
Da beleza

Crueza
No corpo estendido no plano
Na mesa
E os pêlos
Pretos
Proeminentes
Distantes
Vibrantes
Absolutamente
Cativantes
Pelo perfume dos órgãos
Que brotam dos grãos
Apaixonados pelas mãos
Donas dos nãos
Donas dos sins
Dos dedos trêmulos
Dedos afins
Êmbolos
De acesso ao fim

       

Necessidade do corpo

Nenhum pecado desertou de mim.
Ainda assim eu devo estar nimbada,
porque um amor me expande.
Como quando na infância
eu contava até cinco para enxotar fantasmas,
beijo por cinco vezes minha mão.

Este é meu corpo, corpo que me foi dado
para Deus saciar sua natureza onívora.
Tomai e comei sem medo,
na fímbria do amor mais tosco
meu pobre corpo
é feito corpo de Deus.



Adélia Prado

sábado, fevereiro 11, 2012

Prometeu

Teu corpo no meu ateu
Teu meu no copo do breu
Meu eu no claro do teu
Teu eu pra cima com o meu

O tempo que foi
Que lembro e que não
O meu e o teu
O himeneu
Que não foi
Que foi não
Aconteceu
Pro meu e pro teu
O que prometeu
E se cumpriu

Pink Floyd Reunion - Live 8 2005




Tags: Pink Floyd; Live 8; Reunion

Espreita

Palavras que saiam daqui
Não farão o que de certo seria
Imagens que apareçam ali
Não dirão o que eu queria

Enfoques diversos
Dispersos olhares
Milhares de toques
Interessantíssimos

Mas e assim
De um talvez
Ou de um sim
O que vi ou que não
A certeza ou o senão
De uma vez ou não
Devagar ou de sopetão
Virão a mim
Devagar
Ao vagar das nuvens
Ao apagar do Sol
Ao raiar do dia

Pink Floyd - Echoes / Live at Pompeii

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

Soul 2



Tags: Seal; Soul

terça-feira, fevereiro 07, 2012

Dilema

O que muito me confunde
é que no fundo de mim estou eu
e no fundo de mim estou eu.

No fundo
sei que não sou sem fim
e sou feito de um mundo imenso
imenso num universo
que não é feito de mim.

Mas mesmo isso é controverso
se nos versos de um poema
perverso sai o reverso.

Disperso num tal dilema
o certo é reconhecer:
no fundo de mim
sou sem fundo.



Antonio Cícero

domingo, fevereiro 05, 2012

Remember That Night

Música de verdade. Aprendam aí, moçada sem juízo musical...



Tags: Pink Floyd; David Guilmour; Rick Wright; Música boa; Crosby Still Nash Young

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

O amor, esse sufoco

O amor, esse sufoco,
agora há pouco era muito,
agora, apenas um sopro.
Ah, troço de louco,
corações trocando rosas,
e socos.


Paulo Leminski

Meus céus

Quando o céu fica azul
É a sua imagem que vejo
É seu rosto que elejo
Pra ficar em minhas retinas

Quando o céu se escurece
Meus olhos e suas meninas
Cumprem os dois suas sinas
De fitar o negro firmamento

Quando o céu se torna chumbo
E os cabelos se gelam ao vento
O que traz o arrebatamento
São seus olhos, guardados nos meus

A falta que ama

Entre areia, sol e grama
o que se esquiva se dá,
enquanto a falta que ama
procura alguém que não há.

Está coberto de terra,
forrado de esquecimento.
Onde a vista mais se aferra,
a dália é toda cimento.

A transparência da hora
corrói ângulos obscuros:
cantiga que não implora
nem ri, patinando muros.

Já nem se escuta a poeira
que o gesto espalha no chão.
A vida conta-se, inteira,
em letras de conclusão.

Por que é que revoa à toa
o pensamento, na luz?
E por que nunca se escoa
o tempo, chaga sem pus?

O inseto petrificado
na concha ardente do dia
une o tédio do passado
a uma futura energia.

No solo vira semente?
Vai tudo recomeçar?
É a falta ou ele que sente
o sonho do verbo amar?


Carlos Drummond de Andrade

Sunrise - Simply Red

...e ainda tem a casa do Niemeyer, maravilhosa... E ainda tem mais maravilhas brasileiras...



Tags: Oscar Niemeyer; arquitetura; Simply Red; Brasil




segunda-feira, janeiro 30, 2012

Star Guitar

Videoclips são armas importantíssimas de marketing, mas sempre há alguns que nada contribuem. Esses caras aí fizeram um (já velho, diga-se...) que é um show de demonstração de como um vídeo se encaixa perfeitamente à música. Quando o vi pela primeira vez não percebi a sacada, mas ao captar as imagens ligadas ao som se percebe a qualidade da arte.



Tags: Chemical Brothers

quarta-feira, janeiro 18, 2012

segunda-feira, janeiro 16, 2012

Se da Amada estás ausente

Se da Amada estás ausente
Como o Oriente do Ocidente,
O coração transpõe todo o deserto;
Só, por toda a parte acha o seu caminho certo.
Para quem ama Bagdá é aqui perto.


J.W.Goethe

sexta-feira, janeiro 06, 2012

In my Life



Tags: Beatles; guitar

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Esperança

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— Ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…


Mário Quintana

sexta-feira, dezembro 30, 2011

Fim de 2011

Antes de começar a ler, ligue o vídeo e espere carregar. Só então, leia — se não ficar hipnotizado pelo som.





Mas, nem sei se era pra você estar aqui lendo isso. Talvez você devesse estar rindo em outro lugar e não com seus olhos nessa tela. Comemorando ou tentando esquecer coisas dos trezentos e sessenta e quatro dias passados. O ano vai se acabando e, nessas horas, sempre fica um misto de nostalgia, esperança e a sensação de que a gente podia ter feito mais. Dá sempre uma sensação de que aproveitamos pouco, curtimos menos, esfregamos minimamente nossos lábios. Dá a sensação de que aqueles momentos que dormimos de manhã, não descansamos: apenas perdemos o Sol dourado nas brisas frias dos inícios dos dias. Vem aquela impressão de que dissemos poucos “Eu te amo”, escassos “Obrigado”, míseros “Perdoa-me”. Vem aquela sensação de que deveríamos ter levantado na madrugada pra ver a Lua no céu ou apenas sentir o frio das quatro horas batendo no peito. Talvez, ter sentido mais frio, sentido mais calor, tentado ouvir o coração bater.

Quando um ano vai embora, tendo sido ele bom ou mais ou menos, parece que estamos perdendo um amigo, um companheiro que esteve ali com você. Porque é sempre despedida. É sempre arrivederci. Assim, italiano mesmo, com as emoções brotando, com os olhos declaradamente expostos.

E quando um ano vai embora é porque outro ano vem por aí. E aquele misto de nostalgia, esperança e a sensação de que a gente podia ter feito mais, vai se transformando numa vontade de ter a oportunidade de viver cada pequeno minuto de uma maneira diferente de que a gente sempre viveu.

Todo ano é assim. Dizemos as mesmas coisas. Queremos as mesmas coisas. Fazemos as mesmas coisas que nossa Essência diz pra fazer. Somos as mesmas pessoas que Alguém fez um dia. Só crescemos um pouco. A cada ano. A cada dia. A cada hora. A cada minuto que se aproxima do ano que se inicia.



quarta-feira, dezembro 28, 2011

Canção

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
cobre as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho dentro de um navio…

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito:
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.


Cecília Meireles

sábado, dezembro 24, 2011

Poema de Natal

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados,
Para chorar e fazer chorar,
Para enterrar os nossos mortos - Por isso temos braços longos para os adeuses,
Mãos para colher o que foi dado,
Dedos para cavar a terra.
Assim será a nossa vida;
Uma tarde sempre a esquecer,
Uma estrêla a se apagar na treva,
Um caminho entre dois túmulos -
Por isso precisamos velar,
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito que dizer:
Uma canção sôbre um berço,
Um verso, talvez, de amor,
Uma prece por quem se vai -
Mas que essa hora não esqueça
E que por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre,
Para a participação da poesia,
Para ver a face da morte -
De repente, nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte apenas
Nascemos, imensamente.




Vinícius de Moraes

segunda-feira, dezembro 19, 2011

domingo, dezembro 18, 2011

Perdição

A luz que me dás, esquiva e dura,
serve-me de abrigo onde desfeito
é já o meu cansaço. Halo escuro
a luz dói – perdição incerta
de um pobre e calcinado coração
que sabe de amor
o que batalhas são.


Casimiro de Brito

Sue Foley

sábado, dezembro 17, 2011

Beth Hart

Indicação do Luciano Araújo, que sabe das coisas.



quarta-feira, dezembro 14, 2011

Uberlândia

Não sei quem é o autor desta obra de arte. Quem souber, por favor faça um comentário.

Acalanto

Dorme, que eu penso.
Cada qual assim navega
pelo seu mar imenso.

Estarás vendo. Eu estou cega.
Nem te vejo nem a mim.
No teu mar, talvez se chega.

Este, não tem fim.
Dorme, que eu penso.
Que eu penso neste navio
clarividente em que vais.

Mensagens tristes lhe envio.
Pensamentos – nada mais.


Cecília Meireles

domingo, dezembro 11, 2011

Júbilo

Tomaste
arrancaste-me o coração
e simplesmente foste com ele jogar
como uma menina com a sua bola.

E eu de júbilo
esqueci o jogo.
Louco de alegria
saltava
como em casamento de índio
tão leve
tão bem me sentia.


Vladimir Maiakóvski

quinta-feira, dezembro 08, 2011

John Lennon is alive


Tags: Lennon; Yoko; Imagine; Beatles; Peace

sábado, dezembro 03, 2011

Kings of Leon, Eddie Vedder


Tags: Kins of Leon; Eddie Vedder; Rock; Lollapalozza


Sonetilho do falso Fernando Pessoa

Onde nasci, morri.
Onde morri, existo.
E das peles que visto
muitas há que não vi.

Sem mim como sem ti
posso durar. Desisto
de tudo quanto é misto
e que odiei ou senti.

Nem Fausto nem Mefisto,
à deusa que se ri
deste nosso oaristo,

eis-me a dizer: assisto
além, nenhum, aqui,
mas não sou eu, nem isto.


Carlos Drummond de Andrade

Tags: Fernando Pessoa; Carlos Drummond de Andrade; Poesia de alto nível

sexta-feira, dezembro 02, 2011

Kings of Leon - Arizona



Tags: KoL; Arizona; Rock

Reflexivo

O que não escrevi, calou-me.

O que não fiz, partiu-me.
O que não senti, doeu-se.
O que não vivi, morreu-se.
O que adiei, adeu-se.


Affonso Romano de Sant’Anna