domingo, setembro 06, 2009

Blade Runner

Tenho uma ligação com cinema muito forte e que vem desde os tempos do “cacaca”. Não sei qual a razão, mas esse era o nome das sessões que o “seu” Vicente fazia na sua casa da Santos Dumont, no salão que havia em cima da garagem. Não sei como ele conseguia, mas eram legítimas cópias que iriam passar no Cine Uberlândia e que nós, meninos empolgados, viam em primeira mão.
Muitos anos depois, já na faculdade, havia uma sessão de cinema de arte no Cine Windsor, às quartas-feiras, na segunda sessão. Eu não perdia nenhuma. Herzog, Bergman, Wenders, Fellini eram alguns dos diretores que aquele punhado de universitários com cabelos longos, barbas por fazer, sacolas de lona a tiracolo saboreavam. Muitas vezes saí daquele cinema ― onde hoje é uma casa noturna, em frente ao London ― sem entender nada do que tinha visto. Mas foi ali que tive a oportunidade de conhecer diretores que nunca conheceria nos cinemas ditos normais. Só ali pude assistir Dersu Uzala ou Kagemusha, do Kurosawa e conhecer essa outra forma de cinema que nunca tinha visto. Só ali pude assistir, ilegalmente, pois era proibido na época, O Último Tango em Paris, do Bertolucci, com a cena da manteiga e tudo...
Nunca deixei de ir ver os filmes ditos mainstream, feitos por Hollywood, com massas monumentais de dólares e atores da hora. Vi de tudo e muito. Mas um dos filmes que mais vezes assisti foi Blade Runner. E com várias versões, como a versão do diretor, uma estendida e aí a fora. Parei de contar na décima quinta vez. E em cada uma delas, ia captando um novo detalhe não percebido antes. Não sei o que me fez ter tanta disposição pra isso. Talvez a música do Vangelis tenha ajudado. Talvez a mão originada da publicidade do Ridley Scott. Talvez os olhos ternos da Sean Young. Ou talvez, pode também ter sido algo inserido na história ― entre tantas outras coisas ― que mostra a possibilidade de construirmos, através de andróides, as nossas expectativas que nutrimos e esperamos perceber nas pessoas.
Vangelis fez uma ligação musical perfeita ao tema visual do filme, absolutamente inovador e rebuscado pelo ano de 1982 e essa música tema, que é um tema de amor, muitas vezes foi chamada por muitos de “música de motel”. Talvez seja. Love theme. Música de amor.




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