NO MUNDO DOS BLOGS. Todo mundo está se ligando, se conectando, se blogando. Os sinais de fumaça, os tambores, os pombos-correio, as cartas de papel, os telefonemas. Os blogs. Para começar, para ver como é que fica, vamos falar de tudo...
quarta-feira, julho 28, 2010
Eu vou cuidar do seu jardim
Os Cegos Do Castelo
Nando Reis
Eu não quero mais mentir
Usar espinhos que só causam dor
Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu
Dos cegos do castelo me despeço e vou
A pé até encontrar
Um caminho, o lugar
Pro que eu sou
Eu não quero mais dormir
De olhos abertos me esquenta o sol
Eu não espero que um revólver venha explodir
Na minha testa se anunciou
A pé a fé devagar
Foge o destino do azar
Que restou
E se você puder me olhar
E se você quiser me achar
E se você trouxer o seu lar
Eu vou cuidar, eu cuidarei dele
Eu vou cuidar
Do seu jardim
Eu vou cuidar, eu cuidarei muito bem dele
Eu vou cuidar
Eu cuidarei do seu jantar
Do céu e do mar, e de você e de mim
domingo, julho 25, 2010
God bless Yes
quinta-feira, julho 22, 2010
All Things Must Pass
Sunrise doesn't last all morning.
A cloudburst doesn't last all day.
Seems my love is up
And has left you with no warning.
It's not always been this gray.
All things must pass.
All things must pass away.
Sunset doesn't last all evening.
A mind can blow those clouds away.
After all this
My love is up and must be leaving.
It's not always been this gray.
All things must pass.
All things must pass away.
All things must pass.
None of life's dreams can last.
So, I must be on my way
To face another day
And darkness only stays at nighttime.
In the morning it will fade away.
Daylight is good
At arriving at the right time.
It's not always gonna be this gray.
George Harrison
O nascer do sol não dura a manhã toda
Um céu carregado de nuvens não dura o dia todo
Parece que meu amor está acabado e a deixou sem nenhum aviso
Não será sempre cinza assim
Tudo deve passar
Tudo deve ir embora
O por do sol não dura a tarde toda
Uma mente pode soprar essas nuvens pra longe
Depois disso, meu amor está acabado e deve ir embora
Não será sempre cinza assim
Tudo deve passar
Tudo deve ir embora
Tudo deve passar
Nada na vida pode durar pra sempre
Então, devo seguir meu caminho
E encarar um novo dia
A escuridão só fica durante a noite
De manhã vai desaparecer
A luz do dia é boa em chegar no momento certo
Não será sempre cinza assim
Tudo deve passar
Tudo deve ir embora
Tudo deve passar
Tudo deve ir embora
sábado, julho 17, 2010
Mineiro em Nova York
Na hora da coisa toda, ela tava toda entusiasmada com a performance do quieto mineirinho e começou:
— Once more! Once more!
E o mineirinho respondeu:
— Berlândia! Berlândia!
Sonho
Solto para onde estás, e fico de ti perto!
Como, depois do sonho, é triste a realidade!
Como tudo, sem ti, fica depois deserto!
Sonho… Minha alma voa. O ar gorjeia e soluça.
Noite… A amplidão se estende, iluminada e calma:
De cada estrela de ouro um anjo se debruça,
E abre o olhar espantado, ao ver passar minha alma.
Há por tudo a alegria e o rumor de um noivado.
Em torno a cada ninho anda bailando uma asa.
E, como sobre um leito um alvo cortinado,
Alva, a luz do luar cai sobre a tua casa.
Porém, subitamente, um relâmpago corta
Todo o espaço… O rumor de um salmo se levanta
E, sorrindo, serena, apareces à porta,
Como numa moldura a imagem de uma Santa…
Olavo Bilac
sexta-feira, julho 16, 2010
As sem-razões do amor
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Carlos Drummond de Andrade
quinta-feira, julho 15, 2010
quinta-feira, julho 08, 2010
Soneto do Amor Total
O humano coração com mais verdade…
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te enfim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Vinícius de Moraes
quarta-feira, julho 07, 2010
Setenta
Vinte anos sem Cazuza
sábado, julho 03, 2010
Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.
No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.
Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.
Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.
Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.
Eugénio de Andrade
segunda-feira, junho 28, 2010
Highlanders da Copa
Estive pensando nisso nessas chaves da Copa. Alemanha eliminou Inglaterra. Passou sua teutônica espada no nobre pescoço britânico. Será que ela captou para si as forças clássicas da esquadra da ilha do Mar do Norte? Agora é a Argentina. Se ganhar da Argentina, ficará com as forças dos hermanos? E se for o contrário? A Argentina levará adiante todas essas forças?
Se fosse assim, o Brasil estaria perdido... Vai pegando alguns fraquinhos e topando com feras cheias de forças pela frente. Tomara que este post seja apenas pra lembrar da música do Queen...
quarta-feira, junho 23, 2010
Noite de São João
Do lado de cá, eu sem noite de São João.
Porque há São João onde o festejam.
Para mim há uma sombra de luz de fogueiras na noite,
Um ruído de gargalhadas, os baques dos saltos.
E um grito casual de quem não sabe que eu existo.
Fernando Pessoa
terça-feira, junho 22, 2010
Alguém amou
Quantos não há, porém, que amam para se perderem.
Que seria da razão e do bom senso,
se não houvesse a loucura?
Que seria do prazer dos sentidos,
se por trás dele não estivesse a morte?
Que seria do amor
sem o eterno e mortal antagonismo dos sexos?
Herman Hesse
sábado, junho 19, 2010
Ouvir estrelas
Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.
Olavo Bilac
quinta-feira, junho 17, 2010
Estrambote Melancólico
saudade sob aparência de remorso,
de tanto que não fui, a sós, a esmo,
e de minha alta ausência em meu redor.
Tenho horror, tenho pena de mim mesmo
e tenho muitos outros sentimentos
violentos. Mas se esquivam no inventário,
e meu amor é triste como é vário,
e sendo vário é um só.
Carlos Drummond de Andrade
sexta-feira, junho 11, 2010
Discurso
Um poeta é sempre irmão do vento e da água:
deixa seu ritmo por onde passa.
Venho de longe e vou para longe:
mas procurei pelo chão os sinais do meu caminho
e não vi nada, porque as ervas cresceram e as serpentes
andaram.
Também procurei no céu a indicação de uma trajetória,
mas houve sempre muitas nuvens.
E suicidaram-se os operários de Babel.
Pois aqui estou, cantando.
Se eu nem sei onde estou,
como posso esperar que algum ouvido me escute?
Ah! Se eu nem sei quem sou,
como posso esperar que venha alguém gostar de mim?
Cecília Meireles
sábado, junho 05, 2010
Meu ambiente
Ao ver esse vídeo senti o quanto somos frágeis e logo iremos nos tornar pó. Do pó viemos, ao pó voltaremos. Aqui, um pedacinho do texto que escrevi naquele Janeiro:
"Essa é a minha casa. Essa é a sua casa. Vai chegar um dia que me tornarei pó e ao pó voltarei. Me juntarei ao seu pó. Serei a mesma terra que entrou pelos dedos dos meus pés. Serei a mesma areia que se sujou com o sangue do meu nariz. Serei a mesma argila das margens dos rios que conheci com meu pai. Serei pedra, como tão pouco fui. Esta é a minha casa e olhando as imagens, ouvindo a música, já fiquei com saudades dela."
Cada qual tem o seu álcool
Tenho álcool bastante em existir.
Bêbado de me sentir, vagueio e ando certo.
Se são horas, recolho ao escritório como qualquer outro.
Se não são horas, vou até ao rio fitar ao rio, como qualquer outro.
Sou igual.
E por detrás de isso, céu meu, constelo-me às escondidas e tenho o meu infinito.
Fernando Pessoa
quinta-feira, junho 03, 2010
domingo, maio 30, 2010
Aonde?...
Aonde estás, amor? Aonde… aonde… aonde?…
O eco ao pé de mim segreda… desgraçada…
E só a voz do eco, irônica, responde!
Estendo os braços meus! Chamo por ti ainda!
O vento aos meus ouvidos, soluça a murmurar;
Parece a tua voz, a tua voz tão linda
Cantante como um rio banhado de luar!
Eu grito a minha dor, a minha dor intensa!
Esta saudade enorme, esta saudade imensa!
E só a voz do eco à minha voz responde…
Em gritos, a chorar, soluço o nome teu
E grito ao mar, à terra, ao puro azul do céu:
Aonde estás, amor? Aonde… aonde… aonde?…
Florbela Espanca
quinta-feira, maio 27, 2010
Penetrália
Vaidade e brinco, passatempo e graça,
Ou desejo fugaz, que brilha e passa
No relâmpago breve com que veio…
O verdadeiro amor, honra e desgraça,
Gozo ou suplício, no íntimo fechei-o:
Nunca o entreguei ao público recreio,
Nunca o expus indiscreto ao sol da praça.
Não proclamei os nomes, que baixinho,
Rezava… E ainda hoje, tímido, mergulho
Em funda sombra o meu melhor carinho.
Quando amo, amo e deliro sem barulho:
E quando sofro, calo-me e definho
Na ventura infeliz do meu orgulho.
Olavo Bilac
domingo, maio 23, 2010
Seus olhos
o que os meus olhos cegou –
não tinham luz de brilhar,
era chama de queimar;
e o fogo que a ateou
vivaz, eterno, divino,
como o facho do Destino.
Divino, eterno! – e suave
ao mesmo tempo: mas grave
e de tão fatal poder,
que, num só momento que a vi,
queimar toda a alma senti…
Nem ficou mais do meu ser,
senão a cinza em que ardi.
Almeida Garrett
sábado, maio 22, 2010
Amor
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
Na tu’alma, em teus encantos
E na tua palidez
E nos teus ardentes prantos
Suspirar de languidez!
Quero em teus lábio beber
Os teus amores do céu,
Quero em teu seio morrer
No enlevo do seio teu!
Quero viver d’esperança,
Quero tremer e sentir!
Na tua cheirosa trança
Quero sonhar e dormir!
Vem, anjo, minha donzela,
Minha’alma, meu coração!
Que noite, que noite bela!
Como é doce a viração!
E entre os suspiros do vento
Da noite ao mole frescor,
Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!
Álvares de Azevedo
sexta-feira, maio 21, 2010
Pac Man no Google
Como sempre tem feito em datas específicas, hoje o Google trocou seu logo para uma comemoração dos trinta anos do Pac Man. E não foi apenas um novo logo, como nas Olimpíadas de Inverno ou no aniversário de alguma personalidade. Desta vez, os caras colocaram lá um jogo mesmo. Você entra e joga, com som e tudo!...
Criatividade e inovação são capacidades que realmente fazem a diferença. Sempre foi assim e sempre será.

quinta-feira, maio 20, 2010
Soneto da Saudade
Fecha teus olhos e verá o meu sorriso.
E eternamente te direi a sussurrar…
O nosso amor a cada instante está mais vivo!
Quem sabe ainda vibrará em teus ouvidos
Uma voz macia a recitar muitos poemas…
E te expressar que esse amor em nós ungido
Suportará toda distância sem problemas…
Quiçá, teus lábios sentirão um beijo leve
Como uma pluma a flutuar por sobre a neve,
Como uma gota de orvalho indo ao chão.
Lembrar-te-ás toda a ternura que expressamos,
Sempre que juntos, a emoção que partilhamos…
Nem a distância apaga a chama da paixão.
Guimarães Rosa
segunda-feira, maio 17, 2010
A Verdade Dividida
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só conseguia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metadevoltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia os seus fogos.
Era dividida em duas metades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era perfeitamente bela.
E era preciso optar. Cada um optou conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
segunda-feira, maio 10, 2010
Sky Arts - Dark Side of the Moon
domingo, maio 09, 2010
sexta-feira, maio 07, 2010
Narrativa
pelos humildes caminhos
onde se escondem as coisas
que trazem felicidade:
os amuletos dos grilos
e os trevos de quatro folhas…
Só achei flor de saudade.
O arroio levava o tempo.
Ia meu sonho atrás de água.
No chão dormiam abertas
minhas duas mãos sem nada.
Se me chamavam de longe,
se me chamavam de perto,
era perdida a chamada…
Viajei pelas estrelas,
dentro da rosa-dos-ventos.
Trouxe prata em meus cabelos,
pólen da noite sombria…
Mirei no meu coração,
vi os outros, vi meu sonho,
encontrei o que queria.
Já não mais desejo andanças;
tenho meu campo sereno,
com aquela felicidade
que em toda parte buscava.
O tempo fez-me paciente.
A lua, mais doce.
O mar, profunda, erma e brava.
Cecília Meireles
domingo, maio 02, 2010
O Amor e o Outro
melhor
nem pior
do que ninguém.
Do meu jeito amo
Ora esquisito, ora fogoso,
às vezes aflito
ou ensandecido de gozo.
Já amei
até com nojo.
Coisas fabulosas
acontecem-me no leito. Nem sempre
de mim dependem, confesso.
O corpo do outro
é que é sempre surpreendente.
Affonso Romano de Sant’Anna
sexta-feira, abril 30, 2010
Eu espalhei meus sonhos
Tivesse eu os tecidos bordados do céu,
Entremeados com a dourada e prateada luz,
O azul, o furta-cor e o escuro tecido
Da noite, do dia e da meia-luz,
Eu espalharia os tecidos sob teus pés.
Mas, sendo eu pobre, e tendo somente meus sonhos;
Espalhei meus sonhos sob teus pés;
Caminhe com cuidado pois caminhas
Sobre meus sonhos.
W.B. Yeats
sábado, abril 24, 2010
sexta-feira, abril 23, 2010
quinta-feira, abril 22, 2010
Por um lindésimo de segundo
anda a mil
tudo assim
tudo por um fio
tudo feito
tudo estivesse no cio
tudo pisando macio
tudo psiu
tudo em minha volta
anda às tontas
como se as coisas
fossem todas
afinal de contas
Paulo Leminski
sábado, abril 17, 2010
Genesis, again




Tostão me fez um desafio perguntando em qual das fotos em que Peter Gabriel se transveste, o Gênesis vira capa da Melody Maker no outro dia e fica reconhecido mundialmente. Não soube responder e achei que era aquela de uma roupa meio que cheia de pústulas. Errei. Foi quando ele interpretou Supper's Ready, uma pequena música de quase vinte e três minutos do álbum Foxtrot. Neste evento, PG aparece com uma cabeça de raposa e arrasa com as expectativas modestas de quem assistia. Isso gera um agito na mídia da época e os catapultam definitivamente.
São histórias que eu achava que ficavam apenas entre roqueiros assim como Júnior, Tostão ou eu mesmo. Mas tem gente mais nova que curte também. Conversando com meu aluno de MBA, o Pedro Broggini, vejo que nem tudo está perdido. Nem tudo são Luans, Léos e Mateus. Gente nova que sabe das coisas é tudo de bom!... Pedro conhece muito, toca de maneira bissexta no Octopus com o Maurício Ricardo & Cia. e veio me falar que viu meus posts e que adora rock progressivo. Isso é bom demais!
O Júnior e o Tostão precisam saber que ainda há moçada assim...
sexta-feira, abril 16, 2010
Soundgarden faz primeiro show em 13 anos
quinta-feira, abril 15, 2010
O Amor
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p’ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pr’a saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar…
Fernando Pessoa
quarta-feira, abril 07, 2010
Little Wing
terça-feira, abril 06, 2010
Logorama
Mais uma vez, a gente aprende com quem a gente acha que ensina. Foi meu filho Ugo que me apresentou o Logorama, vencedor do Oscar de Curta de Animação de 2010. Pra quem curte marcas, logos e comunicação, como nós dois e mais trocentas pessoas que se ligam nisso, vale a pena assistir.
São logos e logos em profusão se relacionando e formamdo o ambiente, o eco sistema que se passa a história. Reparem nos detalhes ligando os sentidos das marcas às situações. Procurem a marca do Fat Boy Slim.
Ainda há uma marca brasileira (achei só essa única...) bem mostrada e clara. Essa é fácil de achar. Mas há um monte de logos que nem imagino de quem são. Alguns de vocês vão se lembrar de uma planilha Excel que andou rolando por aí nos mails há uns quatro anos sobre logos. Quem respondeu àquele teste, vai se interessar por este curta. Curtam!
Logorama from Marc Altshuler - Human Music on Vimeo.
domingo, abril 04, 2010
Passagem das Horas
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.
Fernando Pessoa, num trecho de Passagem das Horas
sexta-feira, abril 02, 2010
Bullitt

Ugo me chamou pra assistir e ficamos perseguindo os carrões da época. Challengers, Corvettes Stingray entre outros. E o Ford Mustang Fastback GT390 que acaba sendo a estrela do filme.
Um filme pra se rever, principalmente pra quem gosta da aura dos anos 60 e de carros maravilhosos.
É Preciso Não Esquecer Nada
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.
É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.
O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.
O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.
O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos severos conosco,
pois o resto não nos pertence.
Cecília Meireles
terça-feira, março 30, 2010
Não canto porque sonho
Canto porque és real.
Canto o teu olhar maduro,
o teu sorriso puro,
a tua graça animal.
Canto porque sou homem.
Se não cantasse seria
o mesmo bicho sadio
embriagado na alegria
da tua vinha sem vinho.
Canto porque o amor apetece.
Porque o feno amadurece
nos teus braços deslumbrados.
Porque o meu corpo estremece
por vê-los nus e suados.
Eugénio de Andrade
domingo, março 28, 2010
Quem ama inventa
Talvez chegaste quando eu te sonhava.
Então de súbito acendeu-se a chama!
Era a brasa dormida que acordava…
E era um revôo sobre a ruinaria,
No ar atônito bimbalhavam sinos,
Tangidos por uns anjos peregrinos
Cujo dom é fazer ressurreições…
Um ritmo divino? Oh! Simplesmente
O palpitar de nossos corações
Batendo juntos e festivamente,
Ou sozinhos, num ritmo tristonho…
Ó! meu pobre, meu grande amor distante,
Nem sabes tu o bem que faz à gente
Haver sonhado… e ter vivido o sonho!
Mario Quintana
Esse é o nosso mundo
Renato Russo teria também feito cinquenta anos e suas letras ainda estão próprias pra quem tem cinquenta ou quinze ou vinte e cinco. Elas falam coisas que queremos dizer ou sentimos sem querer dizer. E continuam a falar. Como nesta música, neste trecho que diz que "esperamos que um dia nossas vidas possam se encontrar". A gente ouve novamente e acaba por tecer a esperança descrita no verso.
Sempre precisei
De um pouco de atenção
Acho que não sei quem sou
Só sei do que não gosto
Nesses dias tão estranhos
Fica a poeira se escondendo pelos cantos
Esse é o nosso mundo
O que é demais nunca é o bastante
A primeira vez
Sempre a última chance
Ninguém vê onde chegamos
Os assassinos estão livres
Nós não estamos
Vamos sair
Mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão
Procurando emprego
Voltamos a viver
Como há dez anos atrás
E a cada hora que passa envelhecemos dez semanas
Vamos lá tudo bem
Eu só quero me divertir
Esquecer desta noite
Ter um lugar legal pra ir
Já entregamos o alvo e a artilharia
Comparamos nossas vidas
Esperamos que um dia nossas vidas possam se encontrar
Quando me vi tendo de viver
Comigo apenas e com o mundo
Você me veio como um sonho bom
E me assustei
Não sou perfeito
Eu não esqueço
A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo
Eu, homem feito
Tive medo e não consegui dormir
Vamos sair
Mas estamos sem dinheiro
Os meus amigos todos estão
Procurando emprego
Voltamos a viver
Como há dez anos atrás
E a cada hora que passa envelhecemos dez semanas
Vamos lá tudo bem
Eu só quero me divertir
Esquecer desta noite
Ter um lugar legal pra ir
Já entregamos o alvo e a artilharia
Comparamos nossas vidas
E mesmo assim
Não tenho pena de ninguém.
Planejar antes de executar
Rethink Scholarship at Langara 2010 Call for Entries from Rory O'Sullivan and Simon Bruyn on Vimeo.
Pendular
Tom Shannon é um artista que fez algo interessante a esse respeito. Misturou Física a Arte usando um pêndulo para pintar uma obra em que o caos e o controle se juntam, como cita o Gizmodo.



quinta-feira, março 25, 2010
Ausência
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, esta ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade
domingo, março 21, 2010
sexta-feira, março 19, 2010
George
Agora ele me passa esse texto extraído do blog O Baú do Edu, que reproduzo aqui. Ao ler o texto, quase vi George e sua postura que sempre teve. O tímido dos Beatles, o cara que preocupou com seu espírito, um cara de uma alma tão grande que a fazia transbordar por quem quer que a tocasse.
Júnior Degani não é tímido como George. Mas eles se parecem muito.
George planejou com calma e serenidade cada dia até sua morte. Longe da ribalta, discretamente, como era sua filosofia de vida, não permitindo a invasão da sua privacidade e da sua família. Apenas três pessoas sabiam onde e como George Harrison iria morrer: a mulher, Olivia, e o amigo, Gavin De Becker, que se encarregou de cuidar de tudo. Nem o filho, Dhani, sabia onde o pai iria morrer. Tudo foi combinado meticulosamente entre George Harrison e Gavin De Becker, do médico que passaria a certidão de óbito à capela onde seria cremado.
No dia 17 de Novembro, sabendo que o fim estava próximo, George mandou chamar a irmã e os amigos de sempre Paul McCartney e Ringo Starr. Para um Paul McCartney emocionado e com o rosto cheio de lágrimas disse: “ja não estarei aqui no natal”. Ringo disse que ficaria com ele até o fim e que cancelaria uma excursão marcada para o Canadá. George não permitiu dizendo-lhe que estava em paz.
Sem publicidade, no dia 17 de Novembro, George Harrison foi levado no jato particular de Gavin De Becker para Santa Monica, California, tendo depois sido transportado de ambulância descaracterizada até ao UCLA Medical Centre, em Los Angeles.No dia 20, o estado de George deteriorou-se e ele foi transferido para a casa de Gavin De Becker, em Beverly Hills, onde ficou isolado. A única visita exterior permitida foi a de Ravi Shankar.
A morte viria a ocorrer às 13h30 da quinta-feira, 29 de Novembro. Além da família, dois dos seus melhores amigos indianos, Shayam Sundara e Mukunda, entoaram cânticos Hare Krishna, enquanto o George desfalecia. O corpo de George Harrison foi cremado às 06h30 do dia 30 de Novembro. As cinzas seguiram na segunda-feira, 03 de Dezembro, para a Índia onde foram espalhadas num rio sagrado, provavelmente o Yamuna.









