sábado, dezembro 08, 2012

Árvores ACD - 1

Lá pra trás, nesse blog, tem uma série de Árvores. Começo aqui outra. Agora só com fotos do meu irmão que as adora ainda mais do que eu. Tem a paciência de buscar as suas sementes, plantar, regar, fazer crescer. Construir árvores. E desconstruir pra construir novas árvores.



Fotos: Antônio Carlos Degani

quarta-feira, dezembro 05, 2012

Oscar






Tags: Oscar Niemayer; arquitetura; Brasil

Décio Pignatari - 3

Tags: Concretismo

Décio Pignatari - 2

Tags: Concretismo

O Tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é Natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.


Mario Quintana

Décio Pignatari - 1


Tags: Poesia concreta; Concretismo

sábado, dezembro 01, 2012

quinta-feira, novembro 29, 2012

Strawberry Fields Forever



Tags: The Beatles; Lennon&McCartney; London

Sub Akvo




Fotos: Mark Tripple

sábado, novembro 24, 2012

sábado, novembro 17, 2012

Para Lennon e McCartney




Para Lennon e Mc Cartney


Lô Borges

Por que vocês não sabem do lixo ocidental?
Não precisam mais temer
Não precisam da solidão
Todo dia é dia de viver
Por que você não verá meu lado ocidental?
Não precisa medo não
Não precisa da timidez
Todo dia é dia de viver
Eu sou da América do Sul
Eu sei, vocês não vão saber
Mas agora sou cowboy
Sou do ouro, eu sou vocês
Sou do mundo, sou Minas Gerais
Por que vocês não sabem do lixo ocidental?
Não precisam mais temer
Não precisam da solidão
Todo dia é dia de viver
Eu sou da América do Sul
Eu sei, vocês não vão saber
Mas agora sou cowboy
Sou do ouro, eu sou vocês
Sou do mundo, sou Minas Gerais

Beatriz Milhazes - 2


September in Intouchables

Tema do filme "Intouchables". Não dá pra não ver.



Tags: Earth, Wind and Fire

Beatriz Milhazes - 1


sexta-feira, novembro 16, 2012

Lauryn Hill - Tell Him



Let me be patient

Let me be kind

Make me unselfish

Without being blind

Though I may suffer i'll envy it not

And endure what comes

Cause he's all that I got

And tell him

Tell him I need him

Tell him I love him and it'll be alright

Tell him I need him

Tell him I love him

It'll be alright

Now I may have faith to make mountains fall

But if I lack love then I have nothing at all

I can give away everything I possess

But am without I love then I have no happiness

I know I'm imperfect and not without sin

But now that I'm older

All childish things end.

I'll never be jealous and I won't be too proud

Cause love is not boastful

Oh and love is not loud

Tell him need him

Tell him I love him

Everything is gonna be alright

Now I may have wisdom and knowledge on earth

But if I speak wrong then what is it worth

See what we now know is nothing compared

To love we were shown when our lives were



And tell him

Tell him I need him

Tell him I love him




Deixe-me ser paciente

Deixe-me ser amável

Me faça ser altruísta

Sem ser cega

Embora eu vou possa sofrer, eu não vou sentir ciúmes

E suportar o que vem

Porque ele é tudo o que eu tenho

E diga à ele

Diga à ele que preciso dele

Diga à ele que o amo e vai ficar tudo bem

Diga à ele que preciso dele

Diga à ele que o amo

Vai ficar tudo bem

Agora eu possa ter fé para fazer descer montanhas

Todavia, se me falta amor, então não terei nada

Posso jogar fora tudo que possuo

Mas eu estou sem amor, então não tenho felicidade

Eu sei que sou imperfeita, e cometo pecados

Mas agora que estou mais velha

Todas as infantilidades acabaram.

Eu nunca vou ser ciumenta e não vou ser tão orgulhosa

Porque o amor não é arrogante

Oh, e amor não é barulhento

Diga à ele que preciso dele

Diga à ele que o amo

Vai ficar tudo bem

Agora eu possa ter sabedoria e conhecimento na Terra

Mas se eu falar errado, então isso é oque importa

veja o que sabemos, não é nada comparado

Ao amor que nos foi mostrado quando nossas vidas foram poupadas



E diga à ele

Diga à ele que preciso dele

Diga à ele que o amo

quarta-feira, novembro 14, 2012

Pearl Jam: 1992/2000

Em 1992, um dos primeiros shows dos caras pra uma grande platéia. Em 2000, muita coisa mudou (a começar pelos cabelos), mas a essência permaneceu a mesma.




segunda-feira, novembro 12, 2012

Vermeer - 3


Só pro meu prazer



Não fala nada
Deixa tudo assim por mim
Eu não me importo
Se nós não somos bem assim
É tudo real as minhas mentiras
E assim não faz mal
E assim não me faz mal não

Noite e dia se completam
O nosso amor e ódio eterno
Eu te imagino, eu te conserto
Eu faço a cena que eu quiser
Eu tiro a roupa pra você
Minha maior ficção de amor
Eu te recriei, só pro meu prazer
Só pro meu prazer

Não vem agora com essas insinuações
Dos seus defeitos ou de algum medo normal
Será que você, não é nada que eu penso
Também se não for
Não me faz mal
Não me faz mal não

Noite e dia se completam
O nosso amor e ódio eterno
Eu te imagino, eu te conserto
Eu faço a cena que eu quiser
Eu tiro a roupa pra você
Minha maior ficção de amor
Eu te recriei, só pro meu prazer

Noite e dia se completam
O nosso amor e ódio eterno
Eu te imagino, eu te conserto
Eu faço a cena que eu quiser
Eu tiro a roupa pra você
Minha maior ficção de amor
Eu te recriei, só pro meu prazer
Só pro meu prazer


Leoni
 

quarta-feira, novembro 07, 2012

terça-feira, novembro 06, 2012

domingo, novembro 04, 2012

Faça você mesmo sua guitarra

Nesse primeiro vídeo você vê uma técnica mais, digamos, com mais técnica para construir sua guitarra.

Mas no outro vídeo, o Jack White faz uma de um jeito muito mais gambiarrento e consequentemente, mais legal. Este vídeo é um trecho do documentário It Might Get Loud. Recomendadíssimo.



Tags: Guitar; Jack White; The Edge; Jimmy Page

Achilles Last Stand

Na minha opinião, John Henry Bonham foi um dos bateristas que mais influenciaram a música, não só o rock'n'roll. Ele influenciava o Led Zeppelin, sua banda. Muitos bateristas de outras bandas apenas faziam a "cozinha".

Ele imprimia suas ideias e elas ficam bem claras em muitas músicas. Em Achilles Last Stand, ele mostra isso com aquelas batidas típicas dessa música e que, claramente, deram-lhe a personalidade que a perpetua.

Grande Bonzo! 



Tags: Led Zeppelin; John Bonham; Bonzo

sábado, outubro 27, 2012

Valsa do amor de nós dois


Vem ver o mar
Vem que Copacabana é linda
Vamos ser só nós dois
E o que vai ser depois
É melhor, é melhor nem pensar

Ah, namorar!
Os casais nem parecem saber
Nos seus beijos de amor
E o que resta depois
É a valsa do amor de nós dois

Pelas linhas sinuosas
Do passeio à beira-mar
Todo o Rio de Janeiro
Vai querer dançar

E nós, depois
Partiremos num beijo de luz
Pelo céu ao luar
A dançar, a dançar
Esta valsa do amor
De nós dois


Vinícius de Moraes

sexta-feira, outubro 26, 2012

Céus




Ternura

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora. 


Vinícius de Moraes

segunda-feira, outubro 22, 2012

Beleza do corpo da amiga

Amiga, teu corpo é como uma sombra quente
Onde eu me deito para mirar a água tranqüila dos teus olhos
Amiga, teus olhos são como uma água tranqüila
Que apenas se diluem quando eu colher em tua boca a flor úmida que passa
Trazendo em sua corola rubra o pistilo de sua língua em sangue.


Vinícius de Moraes

sábado, outubro 20, 2012

A ausente

Amiga, infinitamente amiga
Em algum lugar teu coração bate por mim
Em algum lugar teus olhos se fecham à idéia dos meus.
Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios
Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas
Como que cega ao meu encontro...
Amiga, última doçura
A tranquilidade suavizou a minha pele
E os meus cabelos. Só meu ventre
Te espera, cheio de raízes e de sombras.
Vem, amiga
Minha nudez é absoluta
Meus olhos são espelhos para o teu desejo
E meu peito é tábua de suplícios
Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes
E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim
Como no mar, vem nadar em mim como no mar
Vem te afogar em mim, amiga minha
Em mim como no mar...


Vinícius de Moraes

Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...

 


Vinicius de Moraes

domingo, outubro 07, 2012

Pyro



Tags: KoL; Kings of Leon

sábado, outubro 06, 2012

Soneto

Por que me descobriste no abandono
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono

Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo

Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar, com que navio
E me deixaste só, com que saída

Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida

Quando eu estava bem, morta de frio

Chico Buarque

quinta-feira, outubro 04, 2012

quarta-feira, outubro 03, 2012

O fazendeiro do mar

mar de mineiro é
inho
mar de mineiro é
ão
mar de mineiro é
vinho
mar de mineiro é
vão
mar de mineiro é chão
mar de mineiro é pinho
mar de mineiro é
pão
mar de mineiro é
ninho
mar de mineiro é não
mar de mineiro é
bão
mar de mineiro é garoa
mar de mineiro é
baião
mar de mineiro é lagoa
mar de mineiro é
balão
mar de mineiro é são
mar de mineiro é viagem
mar de mineiro é
arte
mar de mineiro é margem

(...)

mar de mineiro é
arroio
mar de mineiro é
zem
mar de mineiro é
aboio
mar de mineiro é nem
mar de mineiro é
em
mar de mineiro é
aquário
mar de mineiro é
silvério
mar de mineiro é
vário
mar de mineiro é
sério
mar de mineiro é minério
mar de mineiro é
gerais
mar de mineiro é
campinas
mar de mineiro é
goiás
mar de mineiro é colinas
mar de mineiro é
minas




Cacaso, nascido em Uberaba
 

domingo, setembro 30, 2012

Noite

Início de noite pra se compartilhar.

sexta-feira, setembro 28, 2012

Yellow




Look at the stars,
Look how they shine for you,
And everything you do
Yeah, they were all yellow.

I came along,
I wrote a song for you,
And all the things you do
And it was called "Yellow."

So then I took my turn,
Oh what a thing to've done,
And it was all yellow.

Your skin
Oh yeah, your skin and bones,
Turn into something beautiful,
Do you know?
You know I love you so,
You know I love you so.

I swam across,
I jumped across for you,
Oh what a thing to do.
'Cause you were all yellow,

I drew a line,
I drew a line for you,
Oh what a thing to do,
And it was all yellow.

Your skin,
Oh yeah your skin and bones,
Turn into something beautiful,
You know,
For you I'd bleed myself dry,
For you I'd bleed myself dry.

It's true, look how they shine for you,
Look how they shine for you,
Look how they shine for...
Look how they shine for you,
Look how they shine for you,
Look how they shine...

Look at the stars,
Look how they shine for you,
And all the things that you do.



Olhe as estrelas
Veja como elas brilham para você
E para tudo que você faz
Sim, e elas eram todas amarelas

Eu progredi
Escrevi uma canção para você
E para tudo que você faz
E ela se chamava "amarelo"

Então eu esperei a minha vez
Que coisa para ter feito
E era tudo amarelo

Sua pele
Sim, sua pele e seus ossos
Transformaram-se em algo bonito
Você sabe?
Você sabe que eu te amo tanto
Você sabe que eu te amo tanto e muito

Eu nadei
E superei as barreiras por você
Que coisa a se fazer
Porque você era toda amarela

E estabeleci um limite
E estabeleci um limite para você
Que coisa a se fazer
E era tudo amarelo

Sua pele
Sim, sua pele e seus ossos
Transformaram-se em algo bonito
E você sabe
Por você eu daria todo o meu sangue
Por você eu daria todo o meu sangue

É verdade, veja como elas brilham para você
Veja como elas brilham para você
Veja como elas brilham para
Veja como elas brilham para você
Veja como elas brilham para você
Veja como elas brilham

Olhe as estrelas
Veja como elas brilham para você
E para tudo que você faz





Tags: Coldplay

De estar

Espaço-tempo
Assim, bem perto
Deserto
Disperso em vento
No intento
De estar certo

Tempo e espaço
Curto-longo
Longe
Assim, absurdo
No intento
De estar perto

Pela luz dos olhos teus

Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só p'ra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.


Vinícius de Moraes

quinta-feira, setembro 20, 2012

Paciência - Lenine



Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta para perceber?
Será que temos esse tempo
Para perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para
A vida não para não...

Será que é tempo
Que lhe falta para perceber?
Será que temos esse tempo
Para perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida é tão rara
A vida é tão rara...

A vida é tão rara...

sábado, setembro 15, 2012

Memória

Não dá pra escolher um único poema do Drummond. Isso é impossível. Mas este é especial. Talvez por eu saber de cor, de tanto que o li nestes anos que aprecio a poesia. Já fiz um pequeno conto em que ele é o ator principal.

Toda vez que o leio [e ler é melhor que declamar] percebo filigranas, temperos, maravilhas escondidas em cada um desses versos, dessas palavras, dessas letras juntadas com tanta maestria.

Drummond foi muito mais que a grande maioria das pessoas, que o conheceram por força das aulas de Literatura do segundo grau, imagina. Pelas palavras dos tantos poemas seus pode-se perceber a intensidade de vida que aquele senhorzinho bonitinho expressava atrás de seus óculos de servidor público.

Drummond não é pra qualquer um. Drummond é pra o mundo todo.



Memória


Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.



Carlos Drummond de Andrade

Se sou alegre ou sou triste?…

Se sou alegre ou sou triste?…
Francamente, não o sei.
A tristeza em que consiste?
Da alegria o que farei?

Não sou alegre nem triste.
Verdade, não sou o que sou.
Sou qualquer alma que existe
E sente o que Deus fadou.

Afinal, alegre ou triste?
Pensar nunca tem bom fim…
Minha tristeza consiste

Em não saber bem de mim…
Mas a alegria é assim…





Fernando Pessoa

sexta-feira, setembro 14, 2012

Quando mudam as estações

Quando mudam as estações
E as nuvens cobrem o céu
Feito de chumbo
É um véu
A cobrir o brilho do Sol

Mas quando mudarem as estações
E se forem todos os véus
E os céus e todos os sóis
Se acumularem sobre a gente
O sangue correrá devagar

E as dores que se sente
Intempestivamente
Se transformarão assim
Tranquilamente
No sorriso de quem vê o fim

Mar

Na melancolia de teus olhos
Eu sinto a noite se inclinar
E ouço as cantigas antigas
Do mar.

Nos frios espaços de teus braços
Eu me perco em carícias de água
E durmo escutando em vão
O silêncio.

E anseio em teu misterioso seio
Na atonia das ondas redondas
Náufrago entregue ao fluxo forte
Da morte.


Vinicius de Moraes

domingo, setembro 09, 2012

Wish You Were Here

Desde 1975 muita gente que gosta de boa música dedilhou aqueles acordes em algum violão barato e descascado.  Muita garota ficou encantada com a capacidade musical do carinha que tirava aquelas notas do violão. Quem aprendia violão, necessariamente passava pela aquela introdução. Muita gente passou os braços numa cinturinha ao som de David Gilmour.

Wish You Were Here foi (e é, e o que mostra isso são as legiões de nerds da geração Y maravilhosos com suas mentes brilhantes e seus corações quentes a resgatar as melhores coisas que sempre aconteceram nos tempos em que vivemos) e ainda é uma canção emblemática. Muitos de nós (e me incluo aqui) não sabíamos como a coisa aconteceu. A canção que dá nome ao álbum é apenas parte dele. De como ele surgiu.

Eu nunca havia imaginado que aquela figura havia aparecido nas gravações. Eu nunca havia imaginado que a amizade teria percorrido tamanha estrada empedregulhada. Um álbum assim, após um marco como Dark Side of The Moon teria que ter toda essa labuta, essa dor, essa tensão e esse final, com a tal aparição.

Mas a canção é que faz o título. Eu queria que você estivesse aqui. Como o David Gilmour disse, ela é muito mais ampla, ultrapassa o universo do Syd. Eu queria que você estivesse aqui é pra seu pai que se foi há muito tempo. É pra seu irmão, que você nem chegou a conhecer. É pra seu filho que foi chamado cedo demais e você nem pôde imaginar a cara barbada dele. É pra seu amigo que está ali, há duas quadras de você. É para o seu amor que está há 806 Km da sua casa.

Eu Queria que Você Estivesse Aqui. Eu queria que você estivesse aqui comigo é uma forma de dizer que eu queria compartilhar a minha vida, as minhas dores, as minhas alegrias com as pessoas caras. É pra mim, é pra você, é pra todas as pessoas que um dia ouviram os tais acordes, em noites etílicas, em dias ensolarados, em tardes chuvosas e quiseram isso. Quiseram compartilhar algum momento.


Tags: Pink Floyd; Syd Barret

terça-feira, setembro 04, 2012

Tomou-me

De repente surgiu assim
Súbito
De repente se fez assim
Abrupto
De repente me deixou assim
Decúbito
De repente me encheu assim
De amor

sexta-feira, agosto 31, 2012

Sem título


És a mais bela de todas as estrelas do meu céu
És a única que brilha em minha direção
Nas noites escuras e negras
Levanto meus olhos e a vejo
Em meus sonhos confusos
Nas noites abafadas e sem brisas
Entra pela minha janela
Cuida do meu sono
Vigia e reza por ele
Nas noites longas, intermináveis
Em meus sonhos, perdido
Levanto meus olhos e a venero
Porque nas noites escuras e negras
És a única que brilha em minha direção
És a mais bela de todas as estrelas do meu céu

quinta-feira, agosto 30, 2012

Pink Floyd - Live at Pompeii (Director's Cut)

Fundamental. Pra guardar nos favoritos.



Tags: Pink Floyd; Pompeii; Echoes

Soneto da Saudade

Quando sentires a saudade retroar
Fecha os teus olhos e verás o meu sorriso.
E ternamente te direi a sussurrar:
O nosso amor a cada instante está mais vivo!

Quem sabe ainda vibrará em teus ouvidos
Uma voz macia a recitar muitos poemas…
E a te expressar que este amor em nós ungido
Suportará toda distância sem problemas…

Quiçá, teus lábios sentirão um beijo leve
Como uma pluma a flutuar por sobre a neve,
Como uma gota de orvalho indo ao chão.

Lembrar-te-ás toda a ternura que expressamos,
Sempre que juntos, a emoção que partilhamos…
Nem a distância apaga a chama da paixão.


Guimarães Rosa

quarta-feira, agosto 29, 2012

Inteiro

Mesmo meu corpo
Assim meio torto
Mesmo minha alma
Que quer calma
Inteiramente são seus
Ao toque de sua mão

Mas muito mais ainda
Com muito mais razão
Até que minha vida se finda
É seu esse meu coração

sexta-feira, agosto 24, 2012

Jarle Bernhoft

Essa foi uma sugestão feita pelo Ulisses Bething, que recebeu uma sugestão do Bruno Bething... E por aí vai...



 

quinta-feira, agosto 23, 2012

Poemeto Erótico

Teu corpo claro e perfeito,
- Teu corpo de maravilha,
Quero possuí-lo no leito
Estreito da redondilha…

Teu corpo é tudo o que cheira…
Rosa… flor de laranjeira…

Teu corpo, branco e macio,
É como um véu de noivado…

Teu corpo é pomo doirado…

Rosal queimado do estio,
Desfalecido em perfume…

Teu corpo é a brasa do lume…

Teu corpo é chama e flameja
Como à tarde os horizontes…

É puro como nas fontes
A água clara que serpeja,
Que em cantigas se derrama…

Volúpia da água e da chama…

A todo momento o vejo…
Teu corpo… a única ilha
No oceano do meu desejo…

Teu corpo é tudo o que brilha,
Teu corpo é tudo o que cheira…
Rosa, flor de laranjeira…


Manuel Bandeira

Led Zeppelin - Live at the Royal Albert Hall 1970

Aí, moçada! Aprende com esses caras... Guitarra com arco... Só o Jimmy Page mesmo.


Tags: Led Zeppelin; Rock'n'roll; Robert Plant; Jimmy Page

sábado, agosto 11, 2012

Paulo Leminski - Pequenos Poemas - 8

não fosse isso
e era menos
não fosse tanto
e era quase

Paulo Leminski - Pequenos Poemas - 7

rio do mistério
que seria de mim
se me levassem a sério?

Paulo Leminski - Pequenos Poemas - 6

tudo claro
ainda não era o dia
era apenas o raio

quinta-feira, agosto 09, 2012

Whole Lotta Love - Slash and Beth Hart


Tags: Beth Hart; Slash; Led Zeppelin

Paulo Leminski - Pequenos Poemas - 5

noite alta lua baixa
pergunte ao sapo
o que ele coaxa

Paulo Leminski - Pequenos Poemas - 4

a palmeira estremece
palmas pra ela
que ela merece

Paulo Leminski - Pequenos Poemas - 3

Inverno
É tudo o que sinto
Viver
É sucinto

quarta-feira, agosto 08, 2012

Paulo Leminski - Pequenos Poemas - 2

não discuto
com o destino
o que pintar
eu assino

Paulo Leminski - Pequenos Poemas - 1

pelos caminhos que ando
um dia vai ser
só não sei quando

Magro



Tags: MPB4; Chico Buarque; Roda Viva, Antonio José Waghabi Filho, o Magro

Leminski


quinta-feira, agosto 02, 2012

É assim que te quero

É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há-de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nossos lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.

Pablo Neruda

Marooned

Liga o HD e aumenta o som.







Tags: Pink Floyd; BBC

quarta-feira, agosto 01, 2012

Engenharia musical


Dizem que engenheiros são cartesianos demais e usam pouco o lado direito do cérebro. Não é assim não. Engenheiros são antes de tudo, artistas. Mestres da arte de resolver problemas. Como este, de fazer música com componentes agrícolas de máquinas que vieram da John Deere.


Engenheiros são artistas. Às vezes, artistas frustrados, mas invariavelmente, artistas enrustidos.







Tags: Música; John Deere; Robert M. Trammell; Sharon Wick 

terça-feira, julho 31, 2012

Se eu pudesse não ter o ser que tenho

Se eu pudesse não ter o ser que tenho

Seria feliz aqui…

Que grande sonho

Ser quem não sabe quem é e sorri!


Mas eu sou estranho

Se em sonho me vi

Tal qual no tamanho

O que nunca vi…





Fernando Pessoa

quarta-feira, julho 25, 2012

Se se morre de amor!

Longa e linda.



Se se morre de amor! — Não, não se morre,
Quando é fascinação que nos surpreende
De ruidoso sarau entre os festejos;
Quando luzes, calor, orquestra e flores
Assomos de prazer nos raiam n’alma,
Que embelezada e solta em tal ambiente
No que ouve, e no que vê prazer alcança!

Simpáticas feições, cintura breve,
Graciosa postura, porte airoso,
Uma fita, uma flor entre os cabelos,
Um quê mal definido, acaso podem
Num engano d’amor arrebatar-nos.
Mas isso amor não é; isso é delírio,
Devaneio, ilusão, que se esvaece
Ao som final da orquestra, ao derradeiro

Clarão, que as luzes no morrer despedem:
Se outro nome lhe dão, se amor o chamam,
D’amor igual ninguém sucumbe à perda.
Amor é vida; é ter constantemente
Alma, sentidos, coração — abertos
Ao grande, ao belo; é ser capaz d’extremos,
D’altas virtudes, té capaz de crimes!
Compr’ender o infinito, a imensidade,
E a natureza e Deus; gostar dos campos,
D’aves, flores, murmúrios solitários;
Buscar tristeza, a soledade, o ermo,
E ter o coração em riso e festa;
E à branda festa, ao riso da nossa alma
Fontes de pranto intercalar sem custo;
Conhecer o prazer e a desventura
No mesmo tempo, e ser no mesmo ponto
O ditoso, o misérrimo dos entes;
Isso é amor, e desse amor se morre!

Amar, e não saber, não ter coragem
Para dizer que amor que em nós sentimos;
Temer qu’olhos profanos nos devassem
O templo, onde a melhor porção da vida
Se concentra; onde avaros recatamos
Essa fonte de amor, esses tesouros
Inesgotáveis, d’ilusões floridas;
Sentir, sem que se veja, a quem se adora,
Compr’ender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos,
E, temendo roçar os seus vestidos,
Arder por afogá-la em mil abraços:
Isso é amor, e desse amor se morre!

Se tal paixão porém enfim transborda,
Se tem na terra o galardão devido
Em recíproco afeto; e unidas, uma,
Dois seres, duas vidas se procuram,
Entendem-se, confundem-se e penetram
Juntas — em puro céu d’êxtases puros:
Se logo a mão do fado as torna estranhas,
Se os duplica e separa, quando unidos
A mesma vida circulava em ambos;

Que será do que fica, e do que longe
Serve às borrascas de ludíbrio e escárnio?
Pode o raio num píncaro caindo,
Torná-lo dois, e o mar correr entre ambos;
Pode rachar o tronco levantado
E dois cimos depois verem-se erguidos,
Sinais mostrando da aliança antiga;
Dois corações porém, que juntos batem,
Que juntos vivem, — se os separam, morrem;
Ou se entre o próprio estrago inda vegetam,
Se aparência de vida, em mal, conservam,
Ânsias cruas resumem do proscrito,
Que busca achar no berço a sepultura!

Esse, que sobrevive à própria ruína,
Ao seu viver do coração, — às gratas
Ilusões, quando em leito solitário,
Entre as sombras da noite, em larga insônia,
Devaneando, a futurar venturas,
Mostra-se e brinca a apetecida imagem;
Esse, que à dor tamanha não sucumbe,
Inveja a quem na sepultura encontra
Dos males seus o desejado termo!



Gonçalves Dias

Wassily Kandinsky



Palhaço



Tags: Egberto Gismonti; Circense

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


Fernando Pessoa

terça-feira, julho 24, 2012

Penetrália

Falei tanto de amor!… de galanteio,
Vaidade e brinco, passatempo e graça,
Ou desejo fugaz, que brilha e passa
No relâmpago breve com que veio…

O verdadeiro amor, honra e desgraça,
Gozo ou suplício, no íntimo fechei-o:
Nunca o entreguei ao público recreio,
Nunca o expus indiscreto ao sol da praça.

Não proclamei os nomes, que baixinho,
Rezava… E ainda hoje, tímido, mergulho
Em funda sombra o meu melhor carinho.

Quando amo, amo e deliro sem barulho:
E quando sofro, calo-me e definho
Na ventura infeliz do meu orgulho.

Olavo Bilac