sábado, julho 18, 2009

LP

Eu tenho o privilégio de ter um filho como o Ugo. Poucos o tem. Estávamos ambos, ouvindo coisas do Pink Floyd. Quem pode ter esse privilégio? Ouvir Pink Floyd com o filho? (Na verdade, privilégio mesmo é ter o Ugo como filho...). É claro que eu estava “Comfortably numb” depois de picanhas e Serramaltes...
Mas, aproveitei pra mostrar o vinil que tenho do álbum “The Wall”, coisa rara hoje nos dias de donwloads e torrents e outras ferramentas que nós pais, nem tanto atualizados, conseguimos acompanhar. Os desenhos do álbum, as letras escritas à mão com caneta nanquim, coisa do Roger Waters mesmo... Quem não ficaria maravilhado com aquela arte? Fiquei eu, ficou Júnior, ficou Tostão na época. Ficou Ugo agora.
Os mp3 vieram e acabarão substituídos por outra tecnologia melhor. Mas os long plays sempre ficarão maravilhando os filhos, os olhares novos que nos substituirão.



sexta-feira, julho 17, 2009

Desencanto

Eu faço versos como quem chora
De desalento… de desencanto…
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente…
Tristeza esparsa… remorso vão…
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre.

Manuel Bandeira

segunda-feira, julho 13, 2009

I got blisters on my fingers!!!

Há um ano vim aqui e postei um vídeo do Led Zeppelin. Na web, na TV, nos jornais e nas revistas falam do dia de hoje, dia do rock’n’roll. Tem canais passando vídeos históricos, outros com histórias das bandas, dos casos e casos que viraram História. Falam dos mortos, dos que se foram, dos que ficaram pra contar a própria história.
Como há um ano, quis postar algo que representasse o dia. E como há um ano, assim como um espírito vindo dos anos 60 e 70, um assovio me soprou nos ouvidos e resolvi colocar esse aí.



domingo, julho 12, 2009

Black Hole Sun

Por sugestão de Lobístico, que sempre sai à frente.


quinta-feira, julho 09, 2009

Ainda

Mar adentro do peito
Luz e a noite que finda
Dias passam, como o vento
Silva pelas árvores ainda

quarta-feira, julho 08, 2009

Sem título

Eras branco
Céu de hoje
Azulaste
No grito
Do afaste

O frio

O
Frio que faz à tarde
Não é o mesmo
Frio que faz de manhã

O
Frio do fim
Não é o fim do começo
Nem mesmo seu frio

O
Frio é o frio
Não é o mesmo
Mas é o frio que faz

Aos olhos

Aviões de carreira cortam o ar
Barulho de avião
Num cheiro total
Total demais aos olhos de gueixa
Produto de meses
De aplicação
De passagem ao real

Num claro céu de outono
De nuvens de algodão
Aviões de carreira
De passagem ao real
Barulho de avião
De aplicação
Num cheiro total
Produto de meses
Total demais
Aos olhos de gueixa

sábado, julho 04, 2009

Iron&Wine

Um sábado à tarde de frente pra tv, um filme sem muitas pretensões e os ouvidos captam um som gostoso e macio. Um folk. Daqueles limpos, próprios mesmo para um sábado à tarde. Iron&Wine é o nome artístico que Sam Beam se apresenta. O som deste norte americano faz lembrar Simon&Garfunkel, um pouco de Neil Young e os mais recentes noruegueses Kings of Convenience.
Talvez agora já não seja sábado à tarde, mas vale a audição.





quinta-feira, julho 02, 2009

Fogo

Fogo é o que liga o Sol
Fogo é o que brilha o céu
Dia que vem, noite que passa
Dia sem luz, noite sem fogo
Se não seduz, não tem graça



Fogo

Capital Inicial

Você é tão acostumada
A sempre ter razão
Você é tão articulada
Quando fala não pede atenção
O poder de te dominar é tentador
Eu já não sinto nada
Sou todo torpor

É tão certo quanto o calor do fogo
É tão certo quanto o calor do fogo
Eu já não tenho escolha
Participo do seu jogo
Eu participo

Não consigo dizer se é bom ou mau
Assim como o ar me parece vital
Onde quer que eu vá
O que quer que eu faça
Sem você, não tem graça

Você sempre surpreende
E eu tento entender
Você nunca se arrepende
Você gosta e sente até prazer
Mas se você me perguntar
Eu digo sim
Eu continuo
Porque a chuva não cai
Só sobre mim
Vejo os outros
Todos estão tentando

E é tão certo quanto o calor do fogo
Eu já não tenho escolha
Participo do seu jogo
Eu participo

Não consigo dizer se é bom ou mau
Assim como o ar me parece vital
Onde quer que eu vá
O que quer que eu faça
Sem você, não tem graça

É tão certo quanto o calor do fogo
É tão certo quanto o calor do fogo
Eu já não tenho escolha
Participo do seu jogo
Eu participo do seu jogo

domingo, junho 28, 2009

Quando ela fala


Quando ela fala, parece
Que a voz da brisa se cala;
Talvez um anjo emudece
Quando ela fala.

Meu coração dolorido
As suas mágoas exala,
E volta ao gozo perdido
Quando ela fala.

Pudesse eu eternamente,
Ao lado dela, escutá-la,
Ouvir sua alma inocente
Quando ela fala.

Minha alma, já semimorta,
Conseguira ao céu alçá-la
Porque o céu abre uma porta
Quando ela fala.

Machado de Assis

quinta-feira, junho 25, 2009

Ben

Há uma fita cassete com uma capa amarela onde estão escritas as músicas e seus intérpretes com a minha letra angulosa. Júnior Degani deve guardá-la sob a proteção ferrenha que ele sempre a guardou. Ela deve ficar guardada com esta música aí do vídeo. Que ficará também guardada em nossos corações.


Não quero perder nada



I Don't Want To Miss A Thing
Aerosmith

I could stay awake just to hear you breathing
Watch you smile while you are sleeping
While you´re far away and dreaming
I could spend my life in this sweet surrender
I could stay lost in this moment forever
Well, every moment spent with you
Is a moment I treasure

I don´t wanna close my eyes
I don´t wanna fall asleep
´Cause I´d miss you, babe
And I don´t wanna miss a thing
´Cause even when I dream of you
The sweetest dream will never do
I´d still miss you, babe
And I don´t wanna miss a thing

Lying close to you
Feeling your heart beating
And I´m wondering what you´re dreaming
Wondering if it´s me you´re seeing
Then I kiss your eyes and thank God we´re together
And I just wanna stay with you
In this moment forever, forever and ever

I don´t wanna close my eyes
I don´t wanna fall asleep
´Cause I´d miss you, babe
And I don´t wanna miss a thing
´Cause even when I dream of you
The sweetest dream will never do
I´d still miss you, babe
And I don´t wanna miss a thing

I don´t wanna miss one smile
I don´t wanna miss one kiss
Well, I just wanna be with you
Right here with you, just like this
I just wanna hold you close
Feel your heart so close to mine
And stay here in this moment
For all the rest of time

I don´t wanna close my eyes
I don´t wanna fall asleep
´Cause I´d miss you, babe
And I don´t wanna miss a thing
´Cause even when I dream of you
The sweetest dream will never do
I´d still miss you, babe
And I don´t wanna miss a thing
I don´t wanna close my eyes
I don´t wanna fall asleep
´Cause I´d miss you, babe
And I don´t wanna miss a thing
´Cause even when I dream of you
The sweetest dream will never do
I´d still miss you, babe
And I don´t wanna miss a thing

Don´t wanna close my eyes
Don´t wanna fall asleep, yeah
I don´t wanna miss a thing


Não quero perder nada

Eu poderia ficar acordado só para ouvir você respirar
Ver o seu rosto sorrindo enquanto você dorme

Enquanto você está longe e sonhando
Eu poderia passar minha vida inteira nessa doce entrega
Eu poderia me perder neste momento para sempre
Todo momento que eu passo com você é o máximo

Não quero fechar meus olhos
Não quero pegar no sono
Porque eu sentiria a sua falta, amore
E eu não quero perder nada
Porque mesmo quando eu sonho com você
O sonho mais doce nunca vai ser suficiente
E eu ainda sentiria a sua falta, amore
E eu não quero perder nada

Deitado perto de você, sentindo o seu coração bater
E imaginando o que você está sonhando
Imaginando se sou eu quem você está vendo
Então eu beijo seus olhos e agradeço a Deus por estarmos juntos
Eu só quero ficar com você
Neste momento para sempre, para todo o sempre

Não quero perder um sorriso
Não quero perder um beijo
Bom, eu só quero ficar com você
Aqui com você, apenas assim
Eu só quero te abraçar forte
Sentir seu coração perto do meu
E ficar aqui neste momento
Por todo o resto dos tempos

sábado, junho 13, 2009

Estrela Passada, por Romilda Santos

Romilda é uma profissional de T.I. que faz poesia. Teve já o privilégio de editar um livro com seus poemas e deve ter material pra vários outros. Sempre acompanho seus escritos em seu blog (veja Somando Letras, nos Links) e este que publico aqui me trouxe lembranças de um gosto que trago há anos comigo: olhar estrelas. Elas têm uma razão muito especial em minha vida. Já escrevi aqui vários textos sobre estrelas e quem me conhece (fisicamente falando) sabe que recentemente as adotei indelevelmente.
Eu apenas queria dizer para a Romilda que uma estrela é eterna. Até que ela explode, vira um black hole e nos atrai ainda mais.


Estrela Passada

Hoje quero deitar em qualquer lugar
que faça silêncio
olhar o céu de estrelas
e em meio a elas ver escrito a nossa história

Quero reler entre o brilho delas
cada momento tão distante já vivido
tão presente agora
Ouço meu coração batendo tão forte
como calvagar de uma tropa

Mas o que são esses sentimentos
tão quietos, tão resolvidos
que me faz perder o sono
e essa lágrima teimando descer minha face

Tanta coisa já chorei
Tanta coisa sonhei
O que mais falta sonhar?

E esse caminho por onde vai
O que mais vem nessas emoções
São minhas emoções silenciosas
São as minhas canções dentro desse peito
São as vozes que se perderam no tempo
Minha janela olhando em frente
Vendo um sol que brilha
fazendo nostalgia no entardecer
desse peito teimoso.

Vou fechar os olhos e guardar
no pensamento minha estrela passada.

Romilda Santos

Já noite

Rapidamente,
Sem aviso prévio
O dia se foi,
Sorrateiro,
De soslaio.

Como um duende, o último raio
A última faísca de sol
Fugiu rindo no Ocidente
E de repente
Tudo se escurecia,
Se obscurecia.

Rapidamente,
Sem aviso prévio
A noite chegou
Trazendo uma lua de nácar
Para agradar meus olhos,
Secos, cansados, tristes.

domingo, junho 07, 2009

The Notwist

The Notwist é uma banda alemã que já tem vinte anos de estrada. Passou por vários tipos de som, mas esses são típicos que a banda vem fazendo. Apesar das décadas, é um som novo e diferente para os meus ouvidos. Como sempre, é bom ouvir e ouvir e ouvir pra só depois avaliar. Ouçam.




sexta-feira, junho 05, 2009

Bom senso

"Inexiste no mundo coisa mais bem distribuída que o bom senso, visto que cada indivíduo acredita ser tão bem provido dele que mesmo os mais difíceis de satisfazer em qualquer outro aspecto não costumam desejar possuí-lo mais do que já possuem."

René Descartes (1596-1650)

quinta-feira, junho 04, 2009

Magnificent



Magnificent
U2

Oh, oh, magnificent

I was born
I was born to be with you
In this space and time
After that and ever after
I haven't had a clue

Only to break rhyme
This foolishness can leave a heart
Black and blue

Only love
Only love can leave such a mark
But only love
Only love can heal such a scar

I was born
I was born to sing for you
I didn't have a choice
But to lift you up
And sing whatever song you wanted me to
I give you back my voice
From the womb
my first cry
It was a joyful noise
Oh, oh

Only love
Only love can leave such a mark
But only love
Only love can heal such a scar

Justified till we die
You and I will magnify
Oh, the magnificent
Magnificent

Only love
Only love can leave such a mark

But only love
Only love unites our hearts



Justified till we die
You and I will magnify
Oh, the magnificent
Magnificent
Magnificent


Eu nasci, eu nasci para estar com você
Neste espaço e tempo
Depois daquilo, e além,
Eu não fazia a menor ideia,

só para rimar
Esta bobeira pode deixar
um coração com hematomas,
ohhhhh

Só o amor,
só o amor pode deixar tamanha marca
Mas só o amor,
só o amor pode deixar tamanha cicatriz

Eu nasci,
eu nasci para cantar para você
Eu não tive uma escolha
Senão levantar você
E cantar qualquer canção que você quisesse
Eu te dou a minha voz, vinda do âmago
O meu primeiro choro, foi um alegre ruído, ohhhhhhh

Só o amor,
só o amor pode deixar tamanha marca
Mas só o amor,
só o amor pode deixar tamanha cicatriz

Legitimados, até a morte
você e eu aumentaremos
Ohhhhh magnífico,
magnífico
magnífico

Só o amor,
só o amor pode deixar tamanha marca
Mas só o amor,
só o amor une nossos corações

Legitimados, até a morte
você e eu aumentaremos
Ohhhhh magnífico,
magnífico
magnífico

domingo, maio 31, 2009

Um Cego

Um Cego

Não sei qual é a face que me mira
quando miro essa face que há no espelho;
e desconheço no reflexo o velho
que o escruta, com silente e exausta ira.

Lento na sombra, com a mão exploro
meus traços invisíveis. Um lampejo
me alcança. O seu cabelo, que entrevejo,
é todo cinza ou é ainda de ouro.

Repito que perdi unicamente
a superfície vã das simples coisas.
Meu consolo é de Milton e é valente,

porém penso nas letras e nas rosas.
Penso que se pudesse ver meu rosto
saberia quem sou neste sol-posto.

Jorge Luis Borges

terça-feira, maio 26, 2009

domingo, maio 24, 2009

Sem título

Palavras que saem da boca
E tropeçam em ouvidos
Tropeçam em outras vozes
Despencam no ar e escapam
No vento
Sem que se dê tempo
De cair na terra
E nascer de novo

domingo, maio 17, 2009

sábado, maio 16, 2009

Sem título

Caem do céu
Somente as chuvas,
Somente as luzes da manhã.
No solo triste
E velho
Dormem as velhas lembranças,
As velhas saudades,
Guardadas que estão
Em caixões de madeira de lei.

Caem do céu as chuvas,
Mas não as luzes da manhã.

Tubo

Minha adolescência foi marcada pela água. Essa experiência se estendeu por toda minha vida e trago esta adoração pelo ambiente líquido desde então. Ali, me sinto como num templo. Quem já experimentou olhar a superfície da água debaixo para cima, seja numa piscina, num rio, num lago ou no mar, sabe que é um mundo totalmente diferente e maravilhoso.
Naquela época, além da natação eu adorava o surf. Acompanhava pela tv, revistas, cinema... Mas nunca pude tentar surfar uma onda e de certa maneira, o que me atraía mesmo era a cor, o movimento, a vida que aqueles seres lindos da Natureza que alguns chamam de vagas, distribuíam. Estar dentro de um tubo azul e branco não é pra qualquer um. Apenas alguns determinados e talentosos podem fazer isso. Não sou um deles, setecentos quilômetros me separam do mar, mas fico aqui no cerrado. Extasiado.


quinta-feira, maio 07, 2009

À beira




Sentado à Beira do Caminho


Roberto e Erasmo Carlos

Eu não posso mais ficar aqui a esperar
que um dia, de repente, você volte para mim
Vejo caminhões e carros apressados a passar por mim
estou sentado à beira de um caminho que não tem mais fim
Meu olhar se perde na poeira dessa estrada triste
onde a tristeza e a saudade de você ainda existem
Esse sol que queima no meu rosto um resto de esperança
de ao menos ver de perto o seu olhar que eu trago na lembrança

Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo

Vem a chuva, molha o meu rosto e então eu choro tanto
minhas lágrimas e os pingos dessa chuva
se confundem com o meu pranto
Olho pra mim mesmo, me procuro e não encontro nada
sou um pobre resto de esperança à beira de uma estrada

Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo

Carros, caminhões, poeira, estrada, tudo, tudo
se confunde em minha mente
minha sombra me acompanha
e vê que eu estou morrendo lentamente
Só você não vê que eu não posso mais ficar aqui sozinho
esperando a vida inteira por você, sentado à beira do caminho

Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo

quinta-feira, abril 30, 2009

Porto&Degani

Eu e o Luiz Eduardo nos divertíamos quando saíamos juntos e achavam que éramos irmãos. Era o mesmo biótipo. Magrelos, queixudos, cabeludos e com cara de distraídos. Tenho certeza que ele era muito mais distraído que eu. Estudei muitas noites na casa dele e tenho vários casos que merecem ser mostrados aqui um dia.
Na época de faculdade eu escrevia muito. Uma quantidade imensa de textos foi perdida, pois escrevia em cadernos alheios, guardanapos, papéis esparsos e sem donos. O Luiz Eduardo Porto, que veio de uma família culta, tocava flauta transversa e violão. E bem. Enquanto o Haddad fazia a parte rítmica, Luiz “solava”. Ou então, estava na flauta dando base para a voz linda do Haddad.
Um dia apresentei alguns escritos e resolvemos compor. Eu não entendia nada de música, mas sempre tive ritmo e preferi que o Luiz fizesse a melodia para que eu colocasse a letra em cima. Não queria que ele apenas musicasse algum poema meu. Foi uma noite deliciosa de criação. Ele foi tocando e eu rabiscando versos. Trocávamos idéias e reformávamos letra e melodia. Naquela noite pude sonhar e entender a maravilha que é essa capacidade de criar que meus ídolos fizeram tão bem. Tivemos outras oportunidades e algumas pequenas peças musicais acabaram sendo criadas, mas a maioria se perdeu no tempo e na memória.
Outro dia mexendo em papéis velhos me deparei com este pedaço. Depois de tantos rabiscos, estas quatorze linhas traduzem a letra final da música, que nem demos título. A melodia ficou gravada numa fita cassete que torço para eu achar um dia na bagunça organizada onde escrevo agora.
Luiz Eduardo foi para os EUA e há anos não o vejo. Não sei se ainda nos parecemos fisicamente, mas tenho certeza que ainda guardamos algo em comum.



Quando você partir das Minas Gerais
Leve no coração uma brisa leve
Leve no coração uma cantiga breve
Pra você cantar nas ruas e nos quintais

Quando o trem de ferro que não existe mais
Te levar pelos trilhos afora
Ouvirá ao longe um berro
Deixará pra trás os brilhos
Dos metais, dos minerais
Sepultados nos fundos da memória

Quando você partir das Minas Gerais
Leve no coração uma brisa leve
Leve no coração uma cantiga breve
Pra você sonhar nas noites de lua


quarta-feira, abril 29, 2009

Dois pesos

O Ricardo Mumu me mandou este texto que retrata bem alguns fatos recentes neste mundo globalizado. Mas acabei me lembrando de uns papos de faculdade, quando ficávamos ali de frente para o prédio do Básico no campus Santa Mônica da UFU discutindo política. Tinham os comunistas, os comunistas do Brasil, os nenhum deles, os capitalistas, os direitistas. Tinha de tudo. Alguns dos últimos baseavam seus argumentos na livre concorrência, na “mão invisível do mercado”, na própria evolução natural das empresas. Diziam a vantagem de permitir que as próprias empresas extinguissem, ficando apenas as melhores, mais eficientes, blá, bla, blá...
Gostaria de me reunir agora com aquelas mesmas pessoas, quem sabe no mesmo local, pra voltar a bater aquele papo...


Texto atribuído ao Neto, Mentor Muniz Neto, diretor de criação e sócio da Bullet, uma das maiores agências de propaganda do Brasil, sobre a crise mundial:

"Vou fazer um slideshow para você. Está preparado?
É comum, você já viu essas imagens antes. Quem sabe até já se acostumou com elas. Começa com aquelas crianças famintas da África. Aquelas com os ossos visíveis por baixo da pele. Aquelas com moscas nos olhos. Os slides se sucedem. Êxodos de populações inteiras... Gente faminta. Gente pobre. Gente sem futuro.
Durante décadas, vimos essas imagens. No Discovery Channel, na National Geographic, nos concursos de foto. Algumas viraram até objetos de arte, em livros de fotógrafos renomados. São imagens de miséria que comovem. São imagens que criam plataformas de governo. Criam ONGs. Criam entidades. Criam movimentos sociais.
A miséria pelo mundo, seja em Uganda ou no Ceará, na Índia ou em Bogotá sensibiliza. Ano após ano, discutiu-se o que fazer. Anos de pressão para sensibilizar uma infinidade de líderes que se sucederam nas nações mais poderosas do planeta.
Dizem que 40 bilhões de dólares seriam necessários para resolver o problema da fome no mundo. Resolver, capicce? Extinguir. Não haveria mais nenhum menininho terrivelmente magro e sem futuro, em nenhum canto do planeta. Não sei como calcularam este número. Mas digamos que esteja subestimado. Digamos que seja o dobro. Ou o triplo. Com 120 bilhões o mundo seria um lugar mais justo.
Não houve passeata, discurso político ou filosófico ou foto que sensibilizasse. Não houve documentário, ONG, lobby ou pressão que resolvesse. Mas em uma semana, os mesmos líderes, as mesmas potências, tiraram da cartola 2.2 trilhões de dólares (700 bi nos EUA, 1.5 tri na Europa) para salvar da fome quem já estava de barriga cheia: bancos e investidores.”

sábado, abril 25, 2009

Hora de se render



Moments of Surrender

I tied myself with wire
To let the horses roam free
Playing with the fire
until the fire played with me
The stone was semi-precious
We were barely conscious
Two souls too smart to be
in the realm of certainty
Even on our wedding day

We set ourselves on fire
Oh God, do not deny her
It's not if I believe in love
But if love believes in me
Oh, believe in me

At the moment of surrender
I folded to my knees
I did not notice the passers-by
And they did not notice me

I've been in every black hole
At the altar of the dark star
My body's now a begging bowl
That's begging to get back,
begging to get back
To my heart
To the rhythm of my soul
To the rhythm of my unconsciousness
To the rhythm that yearns
To be released from control

I was punching in the numbers
at the ATM machine
I could see in the reflection
A face staring back at me

At the moment of surrender
Of vision over visibility
I did not notice the passers-by
And they did not notice me

I was speeding on the subway
Through the stations of the cross
Every eye looking every other way
Counting down 'til the pain would stop

At the moment of surrender
Of vision over visibility
I did not notice the passers-by
And they did not notice me


Hora de se render

Me amarrei com fios
Para os cavalos correrem livres
Brincando com fogo
Até que o fogo brincou comigo
A pedra era semi-preciosa
Nós estávamos semi-conscientes
Duas almas espertas demais
Para estar no reino da certeza
Mesmo no dia do nosso casamento

Nós nos colocamos em chamas
Ó Deus, não a negue
Não é se eu acredito em amor
Mas se o amor acredita em mim
Oh, acredite em mim

Na hora de se render
Eu fiquei de joelhos
Não prestei atenção nas pessoas que passavam
E elas não prestaram atenção em mim

Eu estive em todos os buracos negros
No altar da estrela negra
Meu corpo se tornou um recipiente de esmolas
Que está implorando para voltar
Implorando para voltar
Para o meu coração
Para o ritmo de minha alma
Para o ritmo da minha inconsciência
Para o ritmo que se lembra
Para ser libertado do controle

Eu estava apertando os números de um caixa eletrônico
Eu podia ver no reflexo
Uma face me encarando
Na hora de se render
De visão sobre visibilidade
Eu não prestei atenção nas pessoas que passavam
E elas não prestaram atenção em mim

Eu estava correndo no metrô
Pelas estações que se cruzavam
Todos os olhos olhando para o outro lado
Contando para quando a dor iria parar

Na hora de se render
De visão sobre visibilidade
Eu não prestei atenção nas pessoas que passavam
E elas não prestaram atenção em mim

quinta-feira, abril 23, 2009

Hai kai 10

Passo

Com o aço
Que faço
O espaço,
Disfarço.

Mas meu passo
Me trai.

domingo, abril 19, 2009

Tarde?

Dois posts atrás escrevi algo sobre essa coisa de ser tarde. Muitas vezes nos pegamos assim, achando que é tarde. É muito difícil afirmar algo nesse sentido, mas sempre acontece. Mesmo sem saber, dizemos: É tarde!
A cada dia que passa, quanto mais o dia da vida avança, mais percebo que não é tarde. Tenho quase certeza que nunca será.
Veja o vídeo e ao fim dos sete minutos, me diga: É tarde?

sábado, abril 18, 2009

Sem título

Paixão
O que vejo é o céu
Do chão
O que sinto é o seu
Ou não
O que quis não fiz
Perdão

quinta-feira, abril 16, 2009

Um copo

Não dá pra perceber
Se tarde é um pedaço do dia
Ou um pedaço da vida

Não dá pra entender
Se tarde já é o dia
Ou o momento da vida

Não dá pra se morrer
Se tarde ainda não é
Pra beber um copo de vida

Tem dias que o céu é assim - 6

domingo, abril 12, 2009

Sem título

A menina
Da sacada
Saca o beijo
Na calçada
E sonha
Extasiada
Com o próprio desejo

sábado, abril 11, 2009

Da minha cidade

Muitas vontades tive de ir ao longe, viajar pelo mundo. Talvez eu tivesse me dado bem em andar por aí. Muitas pessoas trocam de lugar, plantam jardins, observam cotias e se vão novamente. Muitas pessoas passam pela minha cidade, pelo meu lugar. Daqui se pode ver muita coisa. Olhando aqui se pode ver muito mais.


Da minha aldeia vejo quando da terra se pode ver no Universo....
Por isso a minha aldeia é grande como outra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) em O Guardador de Rebanhos

sexta-feira, abril 10, 2009

Tem dias que o céu é assim - 5

Espelho de Água

Chego à beira do rio
E olho para aquele espelho de água.
Estou bem na minha frente
Me delatando
Me denunciando
Me cobrando.
Às vezes eu me olho turvamente,
Ondulantemente
Tranqüilamente
Bem na mente.
Sinto-me olhando-me no fundo,
No meu fundo, do fundo do rio.
Não sei por que, mas rio,
E acho graça
Sentindo-me olhado por mim.

Aí então,
Com a minha mão,
Toco a água,
Quebro o espelho
E lavo meu rosto.

quinta-feira, abril 09, 2009

Sem título

Isso ou aquilo.
A cigarra ou o grilo.
O viço. A garra. O desvelo.
O momento e o compromisso
de vivê-lo. De senti-lo.

domingo, abril 05, 2009

Cobain

Eu respeito aqueles que agem como idiotas quando são realmente inteligentes.

Kurt Cobain



sábado, março 28, 2009

Mar em Luz, Dias de Sol

Mar em luz, dias de Sol
Vida leve dos sonhos azuis
Que viajam nas noites de estrelas
Do Sul até o Céu

Olhos que veem
A alma nos olhos
Mãos que tremem
De pura emoção

Mar em luz, dias de Sol
Entram nos olhos
Permanecem no peito
Vivem no coração


sexta-feira, março 27, 2009

Esquivo

Carlos Drummond sempre foi essencial nas minhas escritas. E não foi só nelas. Exerci minhas tentativas de evoluir, seja na poesia, seja na arte de viver, observando esse cara fora de qualquer parâmetro de comparação.
Drummond até hoje é um enigma para mim. Um funcionário público, absolutamente tímido e circunspecto, mas que soube falar da alma e do coração como pouquíssimos seres souberam. Há quem diga que ele amou além das fronteiras a que esteve restrito. Só pode ser.
Separei uma parte de um poema dele, propositalmente é claro. Quero destacar mesmo essa parte. Quem quiser ler o poema inteiro terá que pesquisar. É uma boa maneira de partir para conhecê-lo.

Trecho de “Viver não dói”
Carlos Drummond de Andrade

(...)
A cada dia que vivo,
Mais me convenço de que
O desperdício da vida
Está no amor que não damos,
Nas forças que não usamos,
Na prudência egoísta que nada arrisca,
E que, esquivando-nos do sofrimento,
Perdemos também a felicidade.
(...)

quinta-feira, março 26, 2009

Sonhos não envelhecem

Fui criado em volta de uma esquina formada pela Princesa Isabel e Santos Dumont. Tive sonhos ali, compartilhei esperanças ali. Fiz amigos ali, tenho saudades dali. Mas foi num tempo já de faculdade que me entranhei nessa música. Ou talvez um pouco antes.
Vez por outra volto nela pra beber um pouco de juventude, de sonhos, de esperanças. E não há escapatória: quando passo pelos versos “Porque se chamavam homens/ Também se chamavam sonhos” sua poesia me pega de jeito.
Essa é uma das músicas mais lindas que pude ter o privilégio de ouvir e de certa forma nunca deixará de ser meu hino.

Clube da Esquina nº 2
(Milton Nascimento, Lô Borges, Márcio Borges)



Porque se chamava moço
também se chamava estrada
Viagem de ventania
Nem lembra se olhou pra trás
Ao primeiro passo, aço, aço...

Porque se chamavam homens
Também se chamavam sonhos
E sonhos não envelhecem
Em meio a tantos gases lacrimogêneos
Ficam calmos, calmos...

E lá se vai mais um dia...

E basta contar compasso
E basta contar consigo
Que a chama não tem pavio
De tudo se faz canção
E o coração na curva de um rio, rio...

E lá se vai mais um dia...

E o rio de asfalto e gente
Entorna pelas ladeiras
Entope o meio fio
Esquina mais de um milhão
Quero ver então a gente, gente, gente...



sábado, março 21, 2009

Quando o desespero pelo mundo cresce em mim

Quando o desespero pelo mundo cresce em mim
Tenho que me deitar onde ficam os patos
Na beleza das águas onde as garças se alimentam.
Tenho que ir à paz das coisas selvagens

Que não impõe à vida a antecipação da tristeza.
Fico diante da água serena.
Sinto as estrelas esperando a noite acima de mim.
Por um instante descanso na paz do mundo e fico livre

William Blake

sexta-feira, março 13, 2009

Fundo

sobre o pescoço
pensa a cabeça
sobre o fundo do poço
antes que ele apareça

de ponta
ponta cabeça
apronta
o mergulho
para o fundo bem fundo
de qualquer orgulho

esmagada cabeça
ensangüentada na peça
de pedra
e o caldo espesso
ainda cheirando à vida
esparramando-se
como uma lesma ávida
de vida
a rastejar sobre o fio
de uma navalha
para a morte


quinta-feira, março 05, 2009

Ver-te

Ver-te é como ter á minha frente todo o tempo
É tudo serem para mim estradas largas
Estradas onde passa o sol poente

É o tempo parar e eu próprio duvidar mas sem pensar
Se o tempo existe se existiu alguma vez
E nem mesmo meço a devastação do meu passado.

Ruy Belo

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Breathe

Você nem percebe que está respirando, até que lhe falte o ar. Se você corre, faz exercícios, sabe do que eu estou falando. Se você nada, mergulha sabe bem mais desse assunto. Você só dá valor ao ar quando fica sem ele.
Você respira. Você tem seu ritmo. Talvez mais lento, se fica quieto. Mais rápido, se cobra do corpo. Já disseram que viver não é a quantidade de respirações que você faz, mas as vezes que você perdeu o fôlego de tanta emoção. Perder o fôlego assim é o que há.
Todos, que são vivos, respiram. Só que tem alguns que têm que respirar para que você respire.


quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Um olhar para o céu

Deitado ali na rede, com o céu cheio de estrelas servindo de teto para o meu olhar, tentei enxergar o escuro por trás destes pontinhos brilhantes que sempre aguçaram minha curiosidade. As constelações sempre me trouxeram significados e sempre procuro as Três Marias como uma forma de me posicionar. Talvez seja pelo fato de eu as ter conhecido pelo indicador de meu pai. O Cruzeiro do Sul é tão forte, tão presente neste céu que sempre esteve comigo e, literalmente, o incorporei a mim mesmo. Tentei enxergar o escuro por trás, o imaterial que as envolve, o caldo escuro e fértil que criou e mantém essas belezuras que iluminam a minha alma. Teimei em olhar, teimei em querer entender, mas meu cérebro ainda é uma criança e não sabe de nada. Olhar o céu, o escuro e os pontinhos brilhantes não é para os olhos apenas, muito menos para o cérebro. Olhar para o céu é tarefa pra a alma.



Finito

As luzes da cidade brilhando no escuro do céu
Não chegaram a iluminar seu rosto.
Antes mesmo que o sol se pusesse,
Bem vermelho,
Por detrás dos edifícios e da fumaça,
Seu perfume desaparecia
Como uma chama que vai se apagando,
Sem mais nada para queimar.

Sem mais nada para queimar, no seu coração
Suavemente vazio de mim,
Ecoam as palavras inúteis,
Se batem os lamentos fúteis.

E quase numa transformação mágica,
Tão melancólica quanto lógica,
Tua viva presença
Se transforma numa morta ausência
Trazendo para o ar
A fumaça e a névoa da solidão.


quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Um olhar vindo do céu

Quem assistiu o filme “O Senhor do Anéis” se lembra daquele olho que tudo via. Quando éramos crianças, diziam que havia Alguém lá no Céu que olhava por nós. E há mesmo. Tem certos acontecimentos que só se podem tentar explicar à luz desse Olhar, vindo do Céu.
Talvez por aí também venha a explicação para essa maravilha de olhar que nos observa com sua serenidade de quase uma eternidade de existência. Essa é Helix. Uma das nebulosas mais próximas da Terra, numa imagem produzida a partir do observatório La Silla, no Chile.
Uma das verdades que levo comigo é a que os olhos são a janela da alma. Por eles, se conhece o interior de um ser. Ao olhar para esta janela chamada Helix, qual alma você consegue enxergar?



terça-feira, fevereiro 24, 2009

Diana

Ela é loura, linda e quase da minha altura. Não bastasse isso, tem uma voz de contralto maravilhosa que faz a alma viajar...
Pra quem não a conhece, conheçam! Pra quem a conhece, curtam!



Cachorro também é gente

Há anos, um ministro disse que cachorro também é gente. Tem pessoas até mais sérias que aquele ministro que dizem frases que levam a expressão “pessoa humana”. Se há a “pessoa humana”, então há também a “pessoa canina”.
Nesta Terça de Carnaval, rodando pelos sites cheios de notícias carnavalescas, vi esta pessoa canina querendo participar das festas de Momo. Muitas pessoas humanas queriam impedi-lo e acho isso um desrespeito à pessoa canina.
Olha a carinha dele querendo ser uma baiana da Imperatriz Leopoldinense...




segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Tempo

Já escrevi aqui de algumas preferências que tenho na Bíblia. Há trechos que tocam as pessoas de maneiras diferentes, assim como a poesia, a música, as artes.
O trecho abaixo é assim e permite que a gente “viaje” nas possibilidades. Assim, inspirado em suas palavras, fiz uma complementação simples, longe de querer chegar aos pés da Bíblia. Talvez você possa também fazer a sua interpretação.



Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu:
há tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou;
tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar;
tempo de chorar e tempo de rir; tempo de prantear e tempo de saltar de alegria;
tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar;
tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de deitar fora;
tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de estar calado e tempo de falar;
tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo de guerra e tempo de paz.

Eclesiastes 3, 1-9




Tudo tem seu tempo determinado
Há o tempo de chorar e o tempo de gargalhar
Tempo de ir ao mar e tempo de voltar ao interior
Tempo de perder o que custou lágrimas
Tempo de ganhar o que custou lágrimas
Há o tempo de perder o contato e o tempo de reestabelecer
Tempo de ver os olhos rasos d'água
Tempo de os olhos rasos d'água não ver
Tempo de ficar só e tempo de tocar
Tempo de calar e tempo de falar
Tempo de bocas secas e tempo de lábios molhados
Há o tempo do coração em dor e o tempo da alma solta em luz
Tempo do arrasto da cruz e tempo do bálsamo nos ombros
Tempo de esperar e tempo de regojizar
Há o tempo de destruir e tempo de construir
Tempo de tirar a velha pele e tempo de criar nova pele
Tempo de separar e tempo de juntar
Tempo de dar adeus ao que foi bom um dia
Tempo de se entregar ao que apenas pode vir a ser

domingo, fevereiro 22, 2009

A Day in the Life of Abbey Road

Tem certas coisas que passaremos a vida toda tendo vontade de fazer. Talvez a oportunidade virá, talvez não. Talvez as obras do destino nos levarão até lá, talvez não. O que nos leva a querer realizar tais coisas nada mais é do que aquilo que nos move, aquilo que nos faz ver sentido em estar aqui.
Tem certas coisas que nos acompanham a vida toda e sempre acompanharão. A convivência com a música dos Beatles é uma delas. Nem é mais música e letra, mas um jeito de ver a vida e a acompanhar, olhar pra ela de uma maneira única. Algumas pessoas entenderão o que quero dizer, aquelas que de alguma maneira tiveram suas vidas influenciadas por estes quatro caras especiais. Essas pessoas vão entender bem o que leva as pessoas desse vídeo fazerem o que elas fazem ali. Aquelas que não perceberam que, de alguma maneira tiveram suas vidas influenciadas por estes quatro caras especiais, não verão sentido. Essas pessoas não sabem o que estão perdendo...


quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Sem título

Sobe a colina
E vê
O que se descortina
É a sina
De ti
Que assim termina
Em pó
E por fim germina

sábado, fevereiro 14, 2009

domingo, fevereiro 08, 2009

Sozinha

Foto: Ugo Degani

Cripta Est

do alto de um edifício
num salto de um suplício
para a pedra
pára a perda
de sangue pelas narinas
mãos assassinas
palavras da língua
morrem à míngua
nada resta da rosa
nada resta da prosa
senão o pó do tempo
senão a matéria papel


Tem dias que o céu é assim - 3

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

Não passarão!

O que é ser radical? Já ouvi a palavra inúmeras vezes sendo dirigida a mim. Já ouvi a palavra inúmeras vezes sendo usada como forma de impingir a alguém a pecha de um quase criminoso.

Mas o que seria do mundo sem os radicais? Quem me lê, pode agora enumerar uma lista deles. Não citarei nenhum, mas sabemos e conhecemos muitos. É certo que a maioria está morta. E de forma não natural. Mas são os “radicais” que acabam por fazer este nosso mundo melhor. São eles que o transformam.

E quando vejo algo assim, como neste vídeo, me rejuvenesço. É como se o carinha de vinte anos que habitou aqui dentro um dia, gritasse de dentro do peito: Não passarão!



Tem dias que o céu é assim - 2

quinta-feira, fevereiro 05, 2009