Quem dera fosse meu
o poema de amor definitivo
Se amar fosse o bastante
poder eu poderia
pudera, às vezes,
parece ser esse
meu único destino
Mas vem o vento e leva
as palavras que digo minha canção de amigo. Um sonho de poeta
não vale o instante vivo.
Pode que muita gente
veja no que escrevo
tudo que sente
e vibre, e chore e ria como eu, antigamente, quando não sabia
que não há um verso, amor,
que te contente.
Alice Ruiz
NO MUNDO DOS BLOGS. Todo mundo está se ligando, se conectando, se blogando. Os sinais de fumaça, os tambores, os pombos-correio, as cartas de papel, os telefonemas. Os blogs. Para começar, para ver como é que fica, vamos falar de tudo...
domingo, novembro 28, 2010
Soneto LXII, Cem sonetos de amor
Ai de mim, aí de nós, bem-amada,
Só quisemos apenas amor, amar-nos,
E entre tantas dores se dispôs
Somente a nós dois ser malferidos.
Quisemos o tu e o eu para nós,
O tu do beijo, o eu do pão secreto,
E assim era tudo, eternamente simples,
Até que o ódio entrou pela janela.
Odeiam os que não amaram nosso amor,
Nem outro nenhum amor, desventurados
Como as cadeiras de um salão perdido,
Até que em cinza se enredaram
E o rosto ameaçante que tiveram
Se apagou no crepúsculo apagado.
Pablo Neruda
Só quisemos apenas amor, amar-nos,
E entre tantas dores se dispôs
Somente a nós dois ser malferidos.
Quisemos o tu e o eu para nós,
O tu do beijo, o eu do pão secreto,
E assim era tudo, eternamente simples,
Até que o ódio entrou pela janela.
Odeiam os que não amaram nosso amor,
Nem outro nenhum amor, desventurados
Como as cadeiras de um salão perdido,
Até que em cinza se enredaram
E o rosto ameaçante que tiveram
Se apagou no crepúsculo apagado.
Pablo Neruda
sexta-feira, novembro 26, 2010
PaulinBrazil - 3
Ainda não voltei ao meu normal. Ainda estou envolvido pelo clima daquelas 70.000 pessoas que se juntaram pra celebrar um momento único. Compartilhar com o grande Júnior Degani, com minha idolatrada irmã Marelena Degani, mais o Thiago, a Márcia e o sensacional Bruninho foi algo inesquecível.














A rosa desfolhada
Tento compor o nosso amor
Dentro da tua ausência
Toda a loucura, todo o martírio
De uma paixão imensa
Teu toca-discos, nosso retrato
Um tempo descuidado
Tudo pisado, tudo partido
Tudo no chão jogado
E em cada canto
Teu desencanto
Tua melancolia
Teu triste vulto desesperado
Ante o que eu te dizia
E logo o espanto e logo o insulto
O amor dilacerado
E logo o pranto ante a agonia
Do fato consumado
Silenciosa
Ficou a rosa
No chão despetalada
Que eu com meus dedos tentei a medo
Reconstruir do nada:
O teu perfume, teus doces pêlos
A tua pele amada
Tudo desfeito, tudo perdido
A rosa desfolhada
Dentro da tua ausência
Toda a loucura, todo o martírio
De uma paixão imensa
Teu toca-discos, nosso retrato
Um tempo descuidado
Tudo pisado, tudo partido
Tudo no chão jogado
E em cada canto
Teu desencanto
Tua melancolia
Teu triste vulto desesperado
Ante o que eu te dizia
E logo o espanto e logo o insulto
O amor dilacerado
E logo o pranto ante a agonia
Do fato consumado
Silenciosa
Ficou a rosa
No chão despetalada
Que eu com meus dedos tentei a medo
Reconstruir do nada:
O teu perfume, teus doces pêlos
A tua pele amada
Tudo desfeito, tudo perdido
A rosa desfolhada
Vinicius de Moraes
sábado, novembro 20, 2010
Dá a surpresa de ser
Dá a surpresa de ser.
É alta, de um louro escuro,
faz bem só pensar em ver
seu corpo meio maduro.
Seus seios altos parecem
(se ela estivesse deitada)
dois montinhos que amanhecem
sem ter que haver madrugada.
E a mão do seu braço branco
assenta em palmo espalhado
sobre a saliência do flanco
do seu relevo tapado.
Apetece como um barco.
Tem qualquer coisa de gnomo.
Meu Deus, quando é que eu embarco?
Ó fome, quando é que eu como?
Alvaro de Campos
É alta, de um louro escuro,
faz bem só pensar em ver
seu corpo meio maduro.
Seus seios altos parecem
(se ela estivesse deitada)
dois montinhos que amanhecem
sem ter que haver madrugada.
E a mão do seu braço branco
assenta em palmo espalhado
sobre a saliência do flanco
do seu relevo tapado.
Apetece como um barco.
Tem qualquer coisa de gnomo.
Meu Deus, quando é que eu embarco?
Ó fome, quando é que eu como?
Alvaro de Campos
PaulinBrazil -1
Eu e o Júnior ainda não estamos acreditando. Mas daqui umas horas estaremos indo numa epopéia que com certeza não esqueceremos.
Amor e Medo
Estou te amando e não percebo,
porque, certo, tenho medo.
Estou te amando, sim, concedo,
mas te amando tanto
que nem a mim mesmo
revelo este segredo.
Affonso Romano de Sant´Anna
porque, certo, tenho medo.
Estou te amando, sim, concedo,
mas te amando tanto
que nem a mim mesmo
revelo este segredo.
Affonso Romano de Sant´Anna
Imagem
Tão brando é o movimento
das estrelas, da lua,
das nuvens e do vento,
que se desenha a tua
face no firmamento.
Desenha-se tão pura
como nunca a tiveste,
nem nenhuma criatura.
Pois é sombra celeste
da terrena aventura.
Como um cristal se aquieta
minha vida no sono,
venturosa e completa.
E teu rosto aprisiono
em grave luz secreta.
Teu silêncio em meu peito
de tal maneira existe,
reconhecido e aceito,
que chego a ficar triste
de vê-lo tão perfeito.
E não pergunto nada.
Espero que amanheça,
e a cor da madrugada
pouse na tua cabeça
uma rosa encarnada.
Cecilia Meireles
O Homem e a água
Deixa-me ser o que sou,
o que sempre fui,
um rio que vai fluindo.
E o meu destino é seguir… seguir para o mar.
O mar onde tudo recomeça…
Onde tudo se refaz…
Mário Quintana
o que sempre fui,
um rio que vai fluindo.
E o meu destino é seguir… seguir para o mar.
O mar onde tudo recomeça…
Onde tudo se refaz…
Mário Quintana
sexta-feira, novembro 19, 2010
Felicidade e alegria
A Mara Degani, que é uma pessoa fora dos padrões, que apesar (e sobretudo) de todo o aparato profissional que uma psicanalista traz consigo, é uma profunda conhecedora da alma humana (além de ser a mulher do Júnior Degani, que apenas por isso, já a faz uma profunda conhecedora da alma humana rsrs...), me enviou esse texto do Contardo Calligaris. O texto além de muito bem escrito, cita dois filmes que eu particularmente adoro e regularmente assisto novamente. Já perdi a conta das vezes que os assisti. Por isso, acho que é bom que os assista para entender também o que o Contardo diz no texto.
Nos últimos tempos, tenho pensado muito sobre felicidade e alegria. E sempre acabo num beco. Sem saída, claro. Outro dia li um texto que o Luciano Araújo repassou no twitter que também fala sobre essa coisa de precisar de elementos exógenos para ser feliz.
E a pergunta permanece: o que é ser feliz?
Felicidade e alegria
Cotardo Calligaris - Folha de SP 18/11/2010
Quando eu era criança ou adolescente, pensava que a felicidade só chegaria quando eu fosse adulto, ou seja, autônomo, respeitado e reconhecido pelos outros como dono exclusivo do meu nariz.
Contrariando essa minha previsão, alguns adultos me diziam que eu precisava aproveitar bastante minha infância ou adolescência para ser feliz, pois, uma vez chegado à idade adulta, eu constataria que a vida era feita de obrigações, renúncias, decepções e duro labor. Por sorte, meus pais nunca disseram nada disso; eles deixaram a tarefa de articular essas inanidades a amigos, parentes ou pedagogos desavisados; graças a esse silêncio dos meus pais, pude decretar o seguinte: os adultos que afirmavam que a infância era o único tempo feliz da vida deviam ser, fundamentalmente, hipócritas; com isso, evitei uma depressão profunda pois, uma vez que a infância e a adolescência, que eu estava vivendo, não eram paraíso algum (nunca são), qual esperança me sobraria se eu acreditasse que a vida adulta seria fundamentalmente uma decepção?
Cheguei à conclusão de que, ao longo da vida, nossa ideia da felicidade muda: quando a gente é criança ou adolescente, a felicidade é algo que será possível no futuro, na idade adulta; quando a gente é adulto, a felicidade é algo que já se foi: a lembrança idealizada (e falsa) da infância e da adolescência como épocas felizes. Em suma, a felicidade é uma quimera que seria sempre própria de uma outra época da vida -que ainda não chegou ou que já passou.
No filme de Arnaldo Jabor, "A Suprema Felicidade", que está em cartaz atualmente, o avô (extraordinário Marco Nanini) confia ao neto que a felicidade não existe e acrescenta que, na vida, é possível, no máximo, ser alegre. Claro, concordo com o avô do filme. E há mais: para aproveitar a vida, o que importa é a alegria, muito mais do que a felicidade. Então, o que é a alegria?
Ser alegre não significa necessariamente ser brincalhão. Nada contra ter a piada pronta, mas a alegria é muito mais do que isso: ser alegre é gostar de viver mesmo quando as coisas não dão certo ou quando a vida nos castiga. É possível, aliás, ser alegre até na tristeza ou no luto, da mesma forma que, uma vez que somos obrigados a sentar à mesa diante de pratos que não são nossos preferidos ou dos quais não gostamos, é melhor saboreá-los do que tragá-los com pressa e sem mastigar. Melhor, digo, porque a riqueza da experiência compensa seu caráter eventualmente penoso. Essa alegria, de longe preferível à felicidade, é reconhecível sobretudo no exercício da memória, quando olhamos para trás e narramos nossa vida para quem quiser ouvir ou para nós mesmos. Alguém perguntará: é reconhecível como?
Pois é, para quem consegue ser alegre, a lembrança do passado sempre tem um encanto que justifica a vida. Tento explicar melhor. Para que nossa vida se justifique, não é preciso narrar o passado de forma que ele dê sentido à existência. Não é preciso que cada evento da vida prepare o seguinte. Tampouco é preciso que o desfecho final seja sublime (descobri a penicilina, solucionei o problema do Oriente Médio, mereci o Paraíso). Para justificar a vida, bastam as experiências (agradáveis ou não) que a vida nos proporciona, à condição que a gente se autorize a vivê-las plenamente.
Ora, nossa alegria encanta o mundo, justamente, porque ela enxerga e nos permite sentir o que há de extraordinário na vida de cada dia, como ela é. É óbvio que não consegui explicar o que são a alegria e o encanto da vida. Talvez eles possam apenas ser mostrados: procure-os em "Amarcord" (1973), de Federico Fellini, em "Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas" (2003), de Tim Burton ou no filme de Jabor. "A Suprema Felicidade" me comoveu por isto, por ter a sabedoria terna de quem vive com alegria e, portanto, no encantamento.
Segundo Max Weber (1864-1920), a racionalidade do mundo industrial teria acabado com o encanto do mundo. Ultimamente, bruxos, vampiros, lobisomens, deuses e espíritos andam por aí (e pelas telas de cinema); aparentemente, eles nos ajudam a reencantar o mundo. Ótimo, mas, para reencantar o mundo, não precisamos de intervenções sobrenaturais. Para reencantar o mundo, é suficiente descobrir que o verdadeiro encanto da vida é a vida mesmo.
Nos últimos tempos, tenho pensado muito sobre felicidade e alegria. E sempre acabo num beco. Sem saída, claro. Outro dia li um texto que o Luciano Araújo repassou no twitter que também fala sobre essa coisa de precisar de elementos exógenos para ser feliz.
E a pergunta permanece: o que é ser feliz?
Felicidade e alegria
Cotardo Calligaris - Folha de SP 18/11/2010
Quando eu era criança ou adolescente, pensava que a felicidade só chegaria quando eu fosse adulto, ou seja, autônomo, respeitado e reconhecido pelos outros como dono exclusivo do meu nariz.
Contrariando essa minha previsão, alguns adultos me diziam que eu precisava aproveitar bastante minha infância ou adolescência para ser feliz, pois, uma vez chegado à idade adulta, eu constataria que a vida era feita de obrigações, renúncias, decepções e duro labor. Por sorte, meus pais nunca disseram nada disso; eles deixaram a tarefa de articular essas inanidades a amigos, parentes ou pedagogos desavisados; graças a esse silêncio dos meus pais, pude decretar o seguinte: os adultos que afirmavam que a infância era o único tempo feliz da vida deviam ser, fundamentalmente, hipócritas; com isso, evitei uma depressão profunda pois, uma vez que a infância e a adolescência, que eu estava vivendo, não eram paraíso algum (nunca são), qual esperança me sobraria se eu acreditasse que a vida adulta seria fundamentalmente uma decepção?
Cheguei à conclusão de que, ao longo da vida, nossa ideia da felicidade muda: quando a gente é criança ou adolescente, a felicidade é algo que será possível no futuro, na idade adulta; quando a gente é adulto, a felicidade é algo que já se foi: a lembrança idealizada (e falsa) da infância e da adolescência como épocas felizes. Em suma, a felicidade é uma quimera que seria sempre própria de uma outra época da vida -que ainda não chegou ou que já passou.
No filme de Arnaldo Jabor, "A Suprema Felicidade", que está em cartaz atualmente, o avô (extraordinário Marco Nanini) confia ao neto que a felicidade não existe e acrescenta que, na vida, é possível, no máximo, ser alegre. Claro, concordo com o avô do filme. E há mais: para aproveitar a vida, o que importa é a alegria, muito mais do que a felicidade. Então, o que é a alegria?
Ser alegre não significa necessariamente ser brincalhão. Nada contra ter a piada pronta, mas a alegria é muito mais do que isso: ser alegre é gostar de viver mesmo quando as coisas não dão certo ou quando a vida nos castiga. É possível, aliás, ser alegre até na tristeza ou no luto, da mesma forma que, uma vez que somos obrigados a sentar à mesa diante de pratos que não são nossos preferidos ou dos quais não gostamos, é melhor saboreá-los do que tragá-los com pressa e sem mastigar. Melhor, digo, porque a riqueza da experiência compensa seu caráter eventualmente penoso. Essa alegria, de longe preferível à felicidade, é reconhecível sobretudo no exercício da memória, quando olhamos para trás e narramos nossa vida para quem quiser ouvir ou para nós mesmos. Alguém perguntará: é reconhecível como?
Pois é, para quem consegue ser alegre, a lembrança do passado sempre tem um encanto que justifica a vida. Tento explicar melhor. Para que nossa vida se justifique, não é preciso narrar o passado de forma que ele dê sentido à existência. Não é preciso que cada evento da vida prepare o seguinte. Tampouco é preciso que o desfecho final seja sublime (descobri a penicilina, solucionei o problema do Oriente Médio, mereci o Paraíso). Para justificar a vida, bastam as experiências (agradáveis ou não) que a vida nos proporciona, à condição que a gente se autorize a vivê-las plenamente.
Ora, nossa alegria encanta o mundo, justamente, porque ela enxerga e nos permite sentir o que há de extraordinário na vida de cada dia, como ela é. É óbvio que não consegui explicar o que são a alegria e o encanto da vida. Talvez eles possam apenas ser mostrados: procure-os em "Amarcord" (1973), de Federico Fellini, em "Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas" (2003), de Tim Burton ou no filme de Jabor. "A Suprema Felicidade" me comoveu por isto, por ter a sabedoria terna de quem vive com alegria e, portanto, no encantamento.
Segundo Max Weber (1864-1920), a racionalidade do mundo industrial teria acabado com o encanto do mundo. Ultimamente, bruxos, vampiros, lobisomens, deuses e espíritos andam por aí (e pelas telas de cinema); aparentemente, eles nos ajudam a reencantar o mundo. Ótimo, mas, para reencantar o mundo, não precisamos de intervenções sobrenaturais. Para reencantar o mundo, é suficiente descobrir que o verdadeiro encanto da vida é a vida mesmo.
quinta-feira, novembro 18, 2010
Capítulos
"Enquanto não encerramos um capítulo, não podemos partir para o próximo. Por isso é tão importante deixar certas coisas irem embora."
William Shakespeare
William Shakespeare
segunda-feira, novembro 15, 2010
Uma pequena folha
Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.
Pablo Neruda
É assim que te quero
É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há-de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nossos lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.
Pablo Neruda
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há-de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nossos lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.
Pablo Neruda
Solidariedade
Você está bêbado quando começa a sentir solidariedade e não consegue pronunciar esta palavra.
Millor Fernandes
Millor Fernandes
Afinal, o que querem as mulheres?
Adorei um texto que li de um blog que sigo. Deixo aqui o link pra ele, mas quis publicar também o texto no meu. Acho que a Carol Marques não vai se importar...
Enfim, essa série da Globo me inspirou.
Afinal, o que querem as mulheres? Afinal, o que nós queremos? Afinal, o que eu quero? Afinal, nem elas sabem, nem a gente sabe, nem eu sei.
Eu quero ser independente de marido, que ele cuide do seu dinheiro e eu do meu, mas ele bem que podia sustentar a casa e ser super rico, afinal, eu quero é ser madame.
Eu quero ter o cabelo liso, a pele lisa, a barriga lisa, mas não cai nada bem uma mulher totalmente lisa, sem uma carne, sem ondas pelo cabelo e sem uma celulitezinha ali no canto, afinal, eu quero é ser gostosa naturalmente.
Eu quero ser totalmente fiel ao meu marido, ser honesta dentro e fora de casa, falar pra todo mundo que eu nunca traí ninguém, mas é tão emocionante flertar com o diretor do colégio das crianças, contar do beijo roubado do vizinho pras amigas, afinal, eu quero é ser livre.
Eu quero engravidar, ser uma boa mãe, viver para meus filhos até chegar o momento de cada um deles seguir a vida longe de mim, mas engravidar faz o peito cair, faz a barriga ter estria e se for parto normal vai me deixar larga, afinal, mulher que é mulher não precisa ter filhos, basta ser gostosa eternamente.
Eu quero casar, morar com o amor da minha vida e ser feliz para sempre, mas ser solteira é tão bom, não dar satisfação é ótimo, afinal, variar de homem faz parte do instinto feminino.
Eu quero ser lésbica, ficar só com mulheres, chega de homens peludos, mas esses homens peludos até que são ótimos amantes, afinal, pode ser peludo, desde que entre gostoso.
Eu quero fazer sexo anal, falar para as amigas que é o máximo, que eu consigo, que não tem problema e que é tudo preconceito, mas se bem que pode ficar só na frente mesmo, afinal quem dá o cu é quem tem próstata pra sentir prazer.
Eu quero tudo, quero fazer de tudo, viver de tudo, comer de tudo, cheirar de tudo e ouvir de tudo, mas acho que o jeito é ficar quieta em casa mesmo, afinal, tudo que eu quero é: nada.
Enfim, essa série da Globo me inspirou.
Afinal, o que querem as mulheres? Afinal, o que nós queremos? Afinal, o que eu quero? Afinal, nem elas sabem, nem a gente sabe, nem eu sei.
Eu quero ser independente de marido, que ele cuide do seu dinheiro e eu do meu, mas ele bem que podia sustentar a casa e ser super rico, afinal, eu quero é ser madame.
Eu quero ter o cabelo liso, a pele lisa, a barriga lisa, mas não cai nada bem uma mulher totalmente lisa, sem uma carne, sem ondas pelo cabelo e sem uma celulitezinha ali no canto, afinal, eu quero é ser gostosa naturalmente.
Eu quero ser totalmente fiel ao meu marido, ser honesta dentro e fora de casa, falar pra todo mundo que eu nunca traí ninguém, mas é tão emocionante flertar com o diretor do colégio das crianças, contar do beijo roubado do vizinho pras amigas, afinal, eu quero é ser livre.
Eu quero engravidar, ser uma boa mãe, viver para meus filhos até chegar o momento de cada um deles seguir a vida longe de mim, mas engravidar faz o peito cair, faz a barriga ter estria e se for parto normal vai me deixar larga, afinal, mulher que é mulher não precisa ter filhos, basta ser gostosa eternamente.
Eu quero casar, morar com o amor da minha vida e ser feliz para sempre, mas ser solteira é tão bom, não dar satisfação é ótimo, afinal, variar de homem faz parte do instinto feminino.
Eu quero ser lésbica, ficar só com mulheres, chega de homens peludos, mas esses homens peludos até que são ótimos amantes, afinal, pode ser peludo, desde que entre gostoso.
Eu quero fazer sexo anal, falar para as amigas que é o máximo, que eu consigo, que não tem problema e que é tudo preconceito, mas se bem que pode ficar só na frente mesmo, afinal quem dá o cu é quem tem próstata pra sentir prazer.
Eu quero tudo, quero fazer de tudo, viver de tudo, comer de tudo, cheirar de tudo e ouvir de tudo, mas acho que o jeito é ficar quieta em casa mesmo, afinal, tudo que eu quero é: nada.
quinta-feira, novembro 11, 2010
Holo
Quem se lembra da mensagem holográfica da Princesa Lea em Star Wars?
Os japoneses saíram na frente...
Os japoneses saíram na frente...
quarta-feira, novembro 10, 2010
Navegar
Fiz de minha vida um navio
E dos meus sonhos fundo mar
Lancei meu navio na água
E deixei o vento levar.
A brisa que sopra mansa
Acalenta as ondas do mar
E por mais que ele balance
Seu controle há de voltar.
Voltar para as mãos seguras
Que norteiam o meu navegar
A seguir os caminhos às escuras
Sob a auréola do doce luar.
E a luz que o iluminar
Com o brilho do amanhecer
Certamente vai me mostrar
As espumas do meu viver.
Mas se um dia um recife aflorar
à frente desse navio
Não sei se vou suportar
Traçar mais esse desvio.
Cansei-me de navegar, cansei-me de tanto sofrer.
Se é pra viver nessa mágoa
Prefiro,em vez de aportar,
Abrir com as minhas mãos a água
Pra ver o meu navio naufragar.
E dos meus sonhos fundo mar
Lancei meu navio na água
E deixei o vento levar.
A brisa que sopra mansa
Acalenta as ondas do mar
E por mais que ele balance
Seu controle há de voltar.
Voltar para as mãos seguras
Que norteiam o meu navegar
A seguir os caminhos às escuras
Sob a auréola do doce luar.
E a luz que o iluminar
Com o brilho do amanhecer
Certamente vai me mostrar
As espumas do meu viver.
Mas se um dia um recife aflorar
à frente desse navio
Não sei se vou suportar
Traçar mais esse desvio.
Cansei-me de navegar, cansei-me de tanto sofrer.
Se é pra viver nessa mágoa
Prefiro,em vez de aportar,
Abrir com as minhas mãos a água
Pra ver o meu navio naufragar.
Cecília Meireles
domingo, novembro 07, 2010
Senna da Silva
Ele estaria hoje com 50 anos, mas alguma coisa no destino fez que ele não estivesse aqui agora. Mas o que ele deixou escrito nos corações dos brasileiros e de todos os amantes do automobilismo pelo mundo não se apagará.
Num domingo desse, com Interlagos e tudo, não dá pra não lembrar do cara. Ele não era. Senna é o cara. 10 motivos pra dizer isso.
Num domingo desse, com Interlagos e tudo, não dá pra não lembrar do cara. Ele não era. Senna é o cara. 10 motivos pra dizer isso.
sábado, novembro 06, 2010
Espreita
Palavras que saiam daqui
Não farão o que de certo seria
Imagens que apareçam ali
Não dirão o que eu queria
Enfoques diversos
Dispersos olhares
Milhares de toques
Interessantíssimos
Mas e assim
De um talvez
Ou de um sim
O quer vi ou que não
A certeza ou o senão
De uma vez ou não
Devagar ou de sopetão
Virão a mim
Devagar
Ao vagar das nuvens
Ao apagar do Sol
Ao raiar do dia
Cântico
(...)
Oh, deixa-me brincar, que te amo tanto
Que se não brinco, choro, e desse pranto
Desse pranto sem dor, que é o único amigo
Das horas más em que não estás comigo.
Vinícius de Moraes, em um trechinho de Cântico
Oh, deixa-me brincar, que te amo tanto
Que se não brinco, choro, e desse pranto
Desse pranto sem dor, que é o único amigo
Das horas más em que não estás comigo.
Vinícius de Moraes, em um trechinho de Cântico
Quando eu tiver setenta anos
quando eu tiver setenta anos
então vai acabar esta adolescência
vou largar da vida louca
e terminar minha livre docência
vou fazer o que meu pai quer
começar a vida com passo perfeito
vou fazer o que minha mãe deseja
aproveitar as oportunidades
de virar um pilar da sociedade
e terminar meu curso de direito
então ver tudo em sã consciência
quando acabar esta adolescência
então vai acabar esta adolescência
vou largar da vida louca
e terminar minha livre docência
vou fazer o que meu pai quer
começar a vida com passo perfeito
vou fazer o que minha mãe deseja
aproveitar as oportunidades
de virar um pilar da sociedade
e terminar meu curso de direito
então ver tudo em sã consciência
quando acabar esta adolescência
Paulo Leminski
quinta-feira, novembro 04, 2010
Bruno Bething do Ulisses Bething
Há muitos anos tínhamos uma turma. Ainda tenho várias. Mas há muitos anos a turma era feita de Super Heróis. Tinha o Homem de Ferro (aliás, dois da turma disputavam quem seria ele). Tinha Thor e tinha Capitão América. Ulisses era o Thor (se não me falha a memória que insiste em viajar...). Ulisses Bething morava em Uberlândia porque seu pai veio construir a Estação Ferroviária. Ulisses é sim sobrinho do Joelmir. Ulisses é um amigo que foi embora (afinal, a Estação Ferroviária ficou pronta...), mas ficou na lembrança dos amigos daqui. Do Júnior, do Keller, do Kenner, do Zezé e de quem compartilhou de sua presença.
Ulisses voltou por aqui uma vez, mas isso faz tempo. Ulisses se tornou um arquiteto, artista que sempre foi. Eu me tornei um engenheiro, “atirador” para todos os lados como sempre fui. E continuei a dar atenção ao que me chamava atenção, como escrever aqui.
Mas o filho do Ulisses, o Bruno, se tornou um músico por sangue materno. E vai de blues (que alívio!...). No vídeo, um trechinho de um som que ajuda a elevar a alma.
Ulisses voltou por aqui uma vez, mas isso faz tempo. Ulisses se tornou um arquiteto, artista que sempre foi. Eu me tornei um engenheiro, “atirador” para todos os lados como sempre fui. E continuei a dar atenção ao que me chamava atenção, como escrever aqui.
Mas o filho do Ulisses, o Bruno, se tornou um músico por sangue materno. E vai de blues (que alívio!...). No vídeo, um trechinho de um som que ajuda a elevar a alma.
Mãe
Quem não tem mais, sabe a falta que ela faz. Quem por sorte ainda tem, não sabe o que fazer convém.
quarta-feira, novembro 03, 2010
Artista espalha entradas USB em muros de Nova York
Dica do Ugo Degani:


O que você esperaria encontrar em um USB colocado no meio da rua, para todo mundo usar? Bom, é essa justamente essa a graça (e o perigo) da coisa toda: não dá para saber. O artista alemão Aram Bartholl distribuiu dezenas dessas portas pelos muros, postes de luz e casas de Nova York para estimular a troca de arquivos interessantes entre desconhecidos. O conceito do projeto, chamado Dead Drops, é bastante simples (como você pode ver aí na foto): basta conectar seu laptop, mp3 ou qualquer outra porta USB à entrada e trocar arquivos, se quiser. Em geral, os curiosos têm deixado recados sobre o local da instalação, músicas, fotos e até mensagens cifradas – aparentemente, o nome do projeto é inspirado em uma antiga operação detetivesca para o intercâmbio de informações (o que deixa tudo ainda mais legal).
Naturalmente, a ideia tem lá os seus problemas. Não foram poucas as pessoas que deixaram comentários no site de Bartholl para alertá-lo sobre os riscos da intervenção. Afinal, existe uma chance grande de gente mal-intencionada abandonar vírus nos USB e, assim, contaminar aparelhos saudáveis. Mas, pelo jeito, a curiosidade ainda bate mais forte para muita gente. E aí, você arriscaria seu aparelho para descobrir o que tem nesses misteriosos dispositivos?
Extraído da Superinteressante.
Naturalmente, a ideia tem lá os seus problemas. Não foram poucas as pessoas que deixaram comentários no site de Bartholl para alertá-lo sobre os riscos da intervenção. Afinal, existe uma chance grande de gente mal-intencionada abandonar vírus nos USB e, assim, contaminar aparelhos saudáveis. Mas, pelo jeito, a curiosidade ainda bate mais forte para muita gente. E aí, você arriscaria seu aparelho para descobrir o que tem nesses misteriosos dispositivos?
Extraído da Superinteressante.
terça-feira, novembro 02, 2010
Enquanto a chuva cai
A chuva cai. O ar fica mole...
Indistinto... ambarino... gris...
E no monótono matiz
Da névoa enovelada bole
A folhagem como o bailar.
Torvelinhai, torrentes do ar!
Cantai, ó bátega chorosa,
As velhas árias funerais.
Minh'alma sofre e sonha e goza
À cantilena dos beirais.
Meu coração está sedento
De tão ardido pelo pranto.
Dai um brando acompanhamento
À canção do meu desencanto.
Volúpia dos abandonados...
Dos sós... — ouvir a água escorrer,
Lavando o tédio dos telhados
Que se sentem envelhecer...
Ó caro ruído embalador,
Terno como a canção das amas!
Canta as baladas que mais amas,
Para embalar a minha dor!
A chuva cai. A chuva aumenta.
Cai, benfazeja, a bom cair!
Contenta as árvores! Contenta
As sementes que vão abrir!
Eu te bendigo, água que inundas!
Ó água amiga das raízes,
Que na mudez das terras fundas
Às vezes são tão infelizes!
E eu te amo! Quer quando fustigas
Ao sopro mau dos vendavais
As grandes árvores antigas,
Quer quando mansamente cais.
É que na tua voz selvagem,
Voz de cortante, álgida mágoa,
Aprendi na cidade a ouvir
Como um eco que vem na aragem
A estrugir, rugir e mugir,
O lamento das quedas-d'água!
Manuel Bandeira
Indistinto... ambarino... gris...
E no monótono matiz
Da névoa enovelada bole
A folhagem como o bailar.
Torvelinhai, torrentes do ar!
Cantai, ó bátega chorosa,
As velhas árias funerais.
Minh'alma sofre e sonha e goza
À cantilena dos beirais.
Meu coração está sedento
De tão ardido pelo pranto.
Dai um brando acompanhamento
À canção do meu desencanto.
Volúpia dos abandonados...
Dos sós... — ouvir a água escorrer,
Lavando o tédio dos telhados
Que se sentem envelhecer...
Ó caro ruído embalador,
Terno como a canção das amas!
Canta as baladas que mais amas,
Para embalar a minha dor!
A chuva cai. A chuva aumenta.
Cai, benfazeja, a bom cair!
Contenta as árvores! Contenta
As sementes que vão abrir!
Eu te bendigo, água que inundas!
Ó água amiga das raízes,
Que na mudez das terras fundas
Às vezes são tão infelizes!
E eu te amo! Quer quando fustigas
Ao sopro mau dos vendavais
As grandes árvores antigas,
Quer quando mansamente cais.
É que na tua voz selvagem,
Voz de cortante, álgida mágoa,
Aprendi na cidade a ouvir
Como um eco que vem na aragem
A estrugir, rugir e mugir,
O lamento das quedas-d'água!
Manuel Bandeira
segunda-feira, novembro 01, 2010
Millor
"Três coisas irrecuperáveis: o efeito da calúnia, o tempo passado, o ato sexual adiado."
Millor Fernandes
Millor Fernandes
sábado, outubro 30, 2010
Horas rubras
Horas profundas,lentas e caladas
Feitas de beijos sensuais e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas…
Ouço as olaias rindo desgrenhadas…
Tombam astros em fogo, astros dementes.
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata p’las estradas…
Os meus lábios são brancos como lagos…
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras…
Sou chama e neve branca misteriosa…
E sou talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras!
Florbela Espanca
sexta-feira, outubro 29, 2010
Prêmio
Outro dia na sala de professores da ESAMC falávamos sobre quando começamos. O Antônio Carlos disse que havia começado a dar aulas com 23 anos. A Patrícia Magnino disse que começou a ensinar inglês bem cedo, algo como 21. O Roberto Chacur, um dos melhores fotógrafos de UDI, estava lá também e me ajudou a confirmar, dizendo que havia sido meu aluno de natação no UTC. Comecei com quinze.
Fuçando aqui no notebook, achei essa foto que nem sei de quando é, mas que é de um tempo muito bom, quando comecei aprender a compartilhar o meu conhecimento. Que acaba por sendo o que viemos fazer aqui.
Café com pão
Um dos primeiros contatos que eu tive com a poesia foi através desse poema. Ele fazia parte de algum livro adotado lá no Externato Rio Branco. Me lembro que tinha um desenho de um trem de ferro ao lado das letras. O ritmo das palavras, das sílabas me encantou. O "Café com pão, café com pão" era igualzinho ao barulho que eu ouvia quando embarcava na estação da Mogiana rumo a Ribeirão Preto. Uma criança tinha mesmo que ficar louca com estes sons repetidos em forma de palavras...
Trem de ferro
Café com pão
Café com pão
Café com pão
Virge Maria que foi isso maquinista?
Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força
(trem de ferro, trem de ferro)
Oô...
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pasto
Passa boi
Passa boiada
Passa galho
Da ingazeira
Debruçada
No riacho
Que vontade
De cantar!
Oô...
(café com pão é muito bom)
Quando me prendero
No canaviá
Cada pé de cana
Era um oficiá
Oô...
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matar minha sede
Oô...
Vou mimbora vou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri
Oô...
Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente...
(trem de ferro, trem de ferro)
Manuel Bandeira
Trem de ferro
Café com pão
Café com pão
Café com pão
Virge Maria que foi isso maquinista?
Agora sim
Café com pão
Agora sim
Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força
(trem de ferro, trem de ferro)
Oô...
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pasto
Passa boi
Passa boiada
Passa galho
Da ingazeira
Debruçada
No riacho
Que vontade
De cantar!
Oô...
(café com pão é muito bom)
Quando me prendero
No canaviá
Cada pé de cana
Era um oficiá
Oô...
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matar minha sede
Oô...
Vou mimbora vou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri
Oô...
Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente...
(trem de ferro, trem de ferro)
Manuel Bandeira
quarta-feira, outubro 27, 2010
Canção
Nem tive o trabalho de verificar se já havia postado este poema aqui. Li mais uma vez e mostro pra quem quiser se deliciar com as palavras deliciosas dessa deusa chamada Cecília. Palavras que as vezes parecem ser mais verdadeiras que a própria verdade dos dias e das noites e dos dias novamente.
Canção
Não te fies do tempo nem da eternidade,
que as nuvens me puxam pelos vestidos
que os ventos me arrastam contra o meu desejo!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te vejo!
Não demores tão longe, em lugar tão secreto,
nácar de silêncio que o mar comprime,
o lábio, limite do instante absoluto!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te escuto!
Aparece-me agora, que ainda reconheço
a anêmona aberta na tua face
e em redor dos muros o vento inimigo…
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te digo…
Cecília Meireles
Canção
Não te fies do tempo nem da eternidade,
que as nuvens me puxam pelos vestidos
que os ventos me arrastam contra o meu desejo!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te vejo!
Não demores tão longe, em lugar tão secreto,
nácar de silêncio que o mar comprime,
o lábio, limite do instante absoluto!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te escuto!
Aparece-me agora, que ainda reconheço
a anêmona aberta na tua face
e em redor dos muros o vento inimigo…
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te digo…
Cecília Meireles
domingo, outubro 24, 2010
Mudança
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama... Depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros.
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda!
Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!
Clarice Lispector
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama... Depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de tv, compre outros jornais... leia outros livros.
Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações.
Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... Tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo.
E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda!
Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!
Clarice Lispector
sábado, outubro 23, 2010
quarta-feira, outubro 20, 2010
Leonard Cohen - Hallelujah
Essa música já esteve aqui em mais de uma oportunidade. Ela esteve aqui (mais aqui mesmo, aqui dentro...) mais de uma oportunidade. A mais surpreendente foi ouvi-la num lugar que não imaginava ouvi-la. E essa oportunidade me fez gostar dela ainda mais.
sábado, outubro 16, 2010
Blog do Júnior
Fica difícil pra mim falar do Júnior Degani aqui. Sou suspeito. O conheci quando eu tinha quinze meses e ele nada de meses. O meu e o pai dele foram irmãos inseparáveis e então, não falarei nada.
Mas agora o Júnior começou a publicar um blog. Venho falando pra ele fazer isso há tempos e agora ele resolveu. Poço de cultura que ele é, minha curiosidade aguçou-se pra ver os posts seguintes. Deem uma olhada aqui.
Abrigo
Que alma é essa que você traz consigo?
Que calma é essa que você faz comigo?
Em que era você tomou meu peito?
O que espera que eu faça do meu jeito?
Deu-me o tempo esse castigo?
Ou foi-me apenas um abrigo?
Pra que me guardasse
Pra que eu esperasse
Assim quieto o dia perfeito?
Tive de olhar os anos com olhos salgados
Perdi os profanos, perdi os sagrados
Pra que eu duvidasse
Pra que eu suplicasse
A volta do que não foi feito
Mas agora, esqueça o perigo
Destes tempos complicados
Olhe nos meus olhos alagados
Faça do meu peito o seu abrigo
Que calma é essa que você faz comigo?
Em que era você tomou meu peito?
O que espera que eu faça do meu jeito?
Deu-me o tempo esse castigo?
Ou foi-me apenas um abrigo?
Pra que me guardasse
Pra que eu esperasse
Assim quieto o dia perfeito?
Tive de olhar os anos com olhos salgados
Perdi os profanos, perdi os sagrados
Pra que eu duvidasse
Pra que eu suplicasse
A volta do que não foi feito
Mas agora, esqueça o perigo
Destes tempos complicados
Olhe nos meus olhos alagados
Faça do meu peito o seu abrigo
sexta-feira, outubro 15, 2010
Saber viver
Não sei… Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura…
Enquanto durar
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura…
Enquanto durar
Cora Coralina
quarta-feira, outubro 13, 2010
terça-feira, outubro 12, 2010
23
O Senhor é o meu Pastor, nada me faltará.
Deitar-me faz em verdes pastos,
guia-me mansamente às águas tranquilas;
Refrigera a minha alma,
guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome,
Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte
não temeria mal algum, porque tu estás comigo,
a tua vara e o teu cajado me consolam;
Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos,
unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda;
Certamente que a bondade e a misericórdia
me seguirão todos os dias de minha vida,
e habitarei na casa do Senhor por longos dias.
Amém.
Deitar-me faz em verdes pastos,
guia-me mansamente às águas tranquilas;
Refrigera a minha alma,
guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome,
Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte
não temeria mal algum, porque tu estás comigo,
a tua vara e o teu cajado me consolam;
Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos,
unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda;
Certamente que a bondade e a misericórdia
me seguirão todos os dias de minha vida,
e habitarei na casa do Senhor por longos dias.
Amém.
segunda-feira, outubro 11, 2010
Luís, Paulo, Renato
Renato Russo já usou parte deste texto numa música linda chamada Monte Castelo, que já falei por aqui. Ele misturou Camões com São Paulo (Paulo de Tarso, o homenzinho que era soldado de Roma e se transformou num dos maiores propagadores do cristianismo). Renato Russo misturou tudo com seu talento e surgiu uma música linda (veja o link ali em cima).
Mas agora, segue a peça fundamental do portuguezinho que enxergava pouco, mas que sabia de muito. Quem ler os versos aí embaixo vai entender o que é ser poeta. Saber traduzir o que a Humanidade sente.
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?
Luís de Camões
Mas agora, segue a peça fundamental do portuguezinho que enxergava pouco, mas que sabia de muito. Quem ler os versos aí embaixo vai entender o que é ser poeta. Saber traduzir o que a Humanidade sente.
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade;
Se tão contrário a si é o mesmo amor?
Luís de Camões
Ternura
Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.
Embora o meu amor
seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentando
Pela graça indizível
dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura
dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer
que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas
nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras
dos véus da alma...
É um sossego, uma unção,
um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite
encontrem sem fatalidade
o olhar estático da aurora.
Vinícius de Moraes
domingo, outubro 10, 2010
Festa na D. Luzia!
Nessa próxima semana tem o Dia das Crianças. A gente cresce, para de crescer (pelo menos na vertical...), cria cabelos brancos, deixa-os irem embora, mas é sempre a mesma coisa. Já ouvi uma mulher dizer que as mangas amadurecem, mas os homens não. Vai ver somos mesmo eternas crianças.
Então, deixo aqui uma foto de quando eu era de fato uma. O orelhudo com banca de James Bond sou eu, já grande demais para idade. O branquinho do outro lado é o Keller Garcia, irmão que é pela criação que tivemos e apenas vinte oito dias mais novo que eu (que isso fiquem bem claro, Keller...). No meio, o Carlinhos que não vejo há anos e é primo do Keller. Com o dedo na boca, meu primo e irmão Júnior Degani: Monstro Sagrado dos Assuntos Mais Interessantes, além de ser a alma mais companheira que já experimentei.
Éramos crianças. Não tínhamos alguns problemas que hoje atormentam alguns ali desta fotografia e outros que atormentam a todos. Mas espero chegar a um estágio de fazer com que aqueles problemas fiquem ultrapassados e quem sabe, fazer uma foto assim, parecida com essa e com os espíritos livres, como eles eram naquela época.
Vida longa às eternas crianças!

Então, deixo aqui uma foto de quando eu era de fato uma. O orelhudo com banca de James Bond sou eu, já grande demais para idade. O branquinho do outro lado é o Keller Garcia, irmão que é pela criação que tivemos e apenas vinte oito dias mais novo que eu (que isso fiquem bem claro, Keller...). No meio, o Carlinhos que não vejo há anos e é primo do Keller. Com o dedo na boca, meu primo e irmão Júnior Degani: Monstro Sagrado dos Assuntos Mais Interessantes, além de ser a alma mais companheira que já experimentei.
Éramos crianças. Não tínhamos alguns problemas que hoje atormentam alguns ali desta fotografia e outros que atormentam a todos. Mas espero chegar a um estágio de fazer com que aqueles problemas fiquem ultrapassados e quem sabe, fazer uma foto assim, parecida com essa e com os espíritos livres, como eles eram naquela época.
Vida longa às eternas crianças!

sábado, outubro 09, 2010
Mother
Mother
Mother, you had me, but I never had you
I wanted you, you didn't want me
So I, I just got to tell you
Goodbye, goodbye
Father, you left me, but I never left you
I needed you, you didn't need me
So I, I just got to tell you
Goodbye, goodbye
Children, don't do what I have done
I couldn't walk and I tried to run
So I, I just got to tell you
Goodbye, goodbye
Mama don't go
Daddy come home
Mãe
Mãe, você me teve, mas eu nunca tive você.
Eu quis você, mas você não me quis
Então eu, eu comecei apenas a te dizer
Adeus, Adeus
Pai, você me deixou, mas eu nunca te deixei
Eu precisei de você, mas você não precisou de mim
Então eu, eu comecei apenas a te dizer
Adeus, adeus
Crianças não fazem o que eu tinha feito
Eu não pude andar e tentei correr
Então eu, eu tenho apenas que te dizer
Adeus, adeus
Mamãe, não vá
Papai, volte para casa
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